São José da Boa Vista - A tranquilidade cedeu lugar à apreensão durante a última semana na pacata cidade de São José da Boa Vista (Norte Pioneiro), onde foi registrada a primeira morte por Influenza A (H1N1) no Paraná. A divulgação da notícia, na terça-feira passada, causou alvoroço entre os 7,5 mil habitantes da cidade. A vítima, uma mulher de 43 anos, faleceu no dia 14 deste mês, cinco dias depois de apresentar os primeiros sintomas da doença.
A informação sobre a morte da empresária do ramo de confecções - proprietária de uma fábrica que emprega 32 funcionários - levou muita gente às farmácias para comprar máscaras e álcool em gel (produto que teria capacidade de matar o vírus H1N1).
Na unidade básica de saúde, pessoas com sintomas de gripe ou mesmo simples resfriados, assustadas com a possibilidade de terem contraído a doença, aguardavam atendimento médico. As aulas foram suspensas e retornam amanhã. Pelas ruas, informações concretas sobre as formas de prevenção misturavam-se a boatos.
Na farmácia de Gustavo Giovanetti Bandeira, foram comercializadas 500 máscaras desde a divulgação da notícia. ''Só não vendi mais porque acabou. Também vendi todo o estoque de álcool em gel'', contou ele, que já fez pedido dos produtos para renovar o estoque.
Situação parecida foi relatada por Rubens Aparecido Pedro, dono de uma farmácia que vendeu 200 máscaras em apenas um dia. ''O pessoal está comprando máscaras e álcool 70% (usado em hospitais)'', disse. Segundo ele, ninguém procurou remédios específicos para essa gripe. ''A gente sabe que existe, mas aqui na farmácia não temos'', acrescentou.
Na sexta-feira à tarde, a dona de casa Cleuza de Fátima Santos procurou o posto de saúde com a filha Maria Eduarda, de 4 anos, que amanheceu reclamando de tosse e dor de garganta. ''Quero que o médico dê uma olhada nela. Com essa história de gripe A, fiquei mais preocupada'', afirmou.
Marido de Cleuza, o motorista Valdeci Benedito Santos está usando máscara para transportar passageiros no ônibus da prefeitura. ''Não acho que tenha motivo para muita preocupação. Vou usar a máscara principalmente para proteger os estudantes, quando as aulas começarem na segunda-feira.''
Outra paciente que aguardava atendimento na unidade básica de saúde era a dona de casa Célia Solange Vaciloto, de 67 anos. ''Acordei com sintomas de resfriado e corri para o posto, com medo de ser a tal gripe A'', disse ela, ainda supresa com o falecimento da empresária. ''O Paraná é muito grande, não achei que a primeira morte ia ser aqui em São José da Boa Vista.''
O agricultor Ciro Borges, que passou a lavar as mãos com mais frequência e evitar locais fechados após as notícias sobre a gripe, deu uma explicação inusitada para o fato da primeira vítima do Estado ser residente do município: ''Poderia ter acontecido em qualquer lugar, pois é um vírus que vem pelo ar. A prova é que a doença chegou até aqui.''
Queda no movimento
No modesto comércio local, os acontecimentos da semana começam a causar apreensão. Dona de um restaurante, Maria das Dores Gomes já observou a menor presença de viajantes no estabelecimento. ''Os poucos que vieram estavam com um pouco de medo'', disse ela, que também notou queda no movimento. ''Se continuar assim quando começar o próximo mês, vou ficar preocupada, porque meu custo é alto.''
A comerciante contou também que uma reunião entre representantes de uma marca de cosméticos e maquiagens que acontece todo mês no restaurante quase não teve participação das vendedoras na semana passada. ''A moça que organiza o encontro veio de Wenceslau Braz (município vizinho) usando uma máscara. O pessoal ficou assustado e não veio para a reunião.''

mockup