O medo de contaminação pelo vírus da gripe A está provocando mudanças também na rotina de igrejas. As adequações variam desde a simples abertura de janelas dos templos durante as missas e cultos e cancelamento de reuniões até no investimento em tecnologia.
A transmissão via internet das celebrações da Igreja Metodista, na Área Central de Londrina, são rotina. Mas com a possibilidade de mais gente optar por acompanhar os cultos pela rede mundial de computadores, está sendo ampliada a capacidade de acesso.
Atualmente, perto de 250 fiéis assistem aos cultos dominicais na internet. A meta é tornar a conexão ilimitada para atender a maior audiência possível. O pastor João Victor Custódio Nery comentou que a decisão de investir em mais tecnologia foi motivada pela suspensão de cultos em outras cidades.
''Quando não há culto parece que o domingo não é domingo. Então percebemos que é possível ampliar a capacidade para acesso ilimitado. Mas quero declarar que o culto pela internet não substitui o presencial porque não tem o calor humano. Só que a internet existe para suprir uma necessidade, na impossibilidade de a pessoa estar na igreja'', explicou Nery.
Os cultos são transmitidos duas vezes por semana. Outra ação de combate à gripe A foi disponibilizar álcool em gel para os fiéis. Também está em estudo o fornecimento de lenços umedecidos, uma vez que ''a falta de higiene'' é um dos principais fatores de risco.
Na Paróquia Nossa Senhora de Fátima (Área Central), a celebração de missas foi a única forma de reunião mantida, apesar da gripe. As aulas de catequese, por exemplo, que são frequentadas por 600 crianças, só voltam ao normal quando as escolas retomarem as atividades. Partes dos ritos também sofreram modificações. É o caso do abraço da paz e do hábito de dar as mãos ao rezar o Pai Nosso.
O padre Gianni Calderaro afirmou que novas mudanças serão feitas se houver determinação das autoridades sanitárias. ''Até agora os fiéis não deixaram de comparecer às missas. Penso que o pessoal está tranquilo por enquanto'', avaliou. Ele acrescentou que as portas e janelas do templo são mantidas abertas durante as celebrações, independentemente do clima.
Funcionária e frequentadora da paróquia, Cristina Santos ressalta que os cuidados com a limpeza da igreja também aumentaram. O uso de álcool para esterilizar o templo tornou-se constante. E que a ventilação do templo transformou-se numa preocupação de rotina. ''Estamos fazendo como em casa, mantendo as janelas sempre abertas para evitar o perigo da gripe'', disse.
A mudança de hábitos também foi percebida pelo padre Romão Antonio Martini Martins, da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, localizada no Jardim Dom Bosco (Zona Oeste). Segundo ele, o número de participantes nas atividades caiu um pouco e fiéis passaram a buscar sentar mais perto das áreas ventiladas. Por isso, a partir de uma reunião com infectologistas que são paroquianos, foram determinados alguns cuidados nas missas e atividades paroquiais.
A lista indica que, nas missas, estão suspensos o cumprimento do sacerdote e da Pastoral da Acolhida no início e final das celebrações, do abraço da paz e do uso de água benta na entrada da igreja. Os ministros também devem lavar as mãos com água corrente e sabão antes da distribuição da Eucaristia, entregue diretamente nas mãos dos fiéis, evitando qualquer contato físico. Em relação às atividades paroquiais, encontros de Catequese, Infância Missionária e Coroinhas e reuniões de grande aglomeração foram suspensas. ''A Igreja tem que somar esforços com o poder público. Só vamos vencer a nova gripe se nos unirmos'', afirmou o padre Romão.

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