Gripe A é alvo de informações falsas na internet
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domingo, 16 de agosto de 2009
Simone Iwasso<br> Agência Estado 
São Paulo - Primeira pandemia declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após o uso disseminado da internet, a gripe suína tem sido alvo de falsas informações divulgadas por e-mail, sites, blogs e comunidades virtuais. Textos apócrifos que estão circulando na rede apontam, por exemplo, que, de cada 3 infectados, 2 morrem - e que hospitais e operadoras de saúde recebem ofícios do governo para não divulgar os números verdadeiros.
Além de mortes de médicos relatadas por meio de conversas virtuais - com base em informações falsas -, há os que dizem que ingerir chá de erva-doce, duas vezes por dia, previne a contaminação. Ninguém sabe de onde esses textos vêm nem quem os escreveu. Mesmo assim, há quem acredite nos boatos. E, com a velocidade da internet, o que é boato em um dia vira pânico no dia seguinte.
''A internet reproduz o mundo da rua de maneira veloz, sem as distâncias do território e em tempo real'', analisa o sociólogo especializado em mídias digitais Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Faculdade Cásper Líbero.
''A internet permite que as pessoas tenham acesso a informações de todo tipo, verdadeiras ou falsas. Por isso, autoridades precisam ser mais claras e didáticas na hora de divulgar informações, coisa que não estão acostumadas'', completa.
Nessa linha, de tanto receber e-mails que falavam em mortes não divulgadas, o governo do Estado do Paraná criou um site só sobre gripe suína, para informar mais sobre a doença. Lá, em uma das sessões, estão os mitos e verdades.
''Qualquer nova informação desestabiliza a forma de pensar da sociedade. Um alerta do governo sobre gripe, uma coisa que as pessoas estão acostumadas a conviver, cria uma paranoia dirigida'', explica o psicanalista Jorge Forbes, presidente do Instituto de Psicanálise Lacaniana. ''O que você achava normal, passa a ser ameaça.''
O problema, segundo Forbes, está na maneira como dados são apresentados, aumentando a paranoia. ''Você fica contando mortos, todos os dias se divulga isso sem muito contexto. Os governos dão mensagens contraditórias, um mandando fechar escola, outro dizendo que ela pode funcionar. Isso dá margem enorme aos apavorados de plantão.''
Desse modo, em conversas de corredor ou troca de e-mail, as pessoas seguem reproduzindo informações como a que diz que o vírus A(H1N1) teria sido produzido em laboratório para as indústrias ganharem mais dinheiro.
Além disso, em boa parte das mensagens de pânico que circulam na internet há, por trás, um medo de uma engenharia genética perigosa, como o que diz que a vacina contra a doença seria letal ao ser humano. ''Isso gera muita ansiedade e faz com que as pessoas pensem que estão diante de uma coisa que nunca existiu. É o caso do medo da biotecnologia, do que é feito em laboratório'', resume Luiz Fernando Lima Reis, diretor de pesquisa do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. ''É preciso mostrar dados epidemiológicos, contextualizá-los e explicar que mutação de vírus sempre acontece. O segredo para combater a desinformação é insistir na informação.''


