O comando unificado de greve dos servidores estaduais reuniu-se ontem em Maringá para definir as estratégias e ações que serão desenvolvidas na semana que vem. Participaram da reunião representantes dos comandos de greve de Maringá (UEM), Londrina (UEL) e Cascavel (Unioeste) e representantes da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes) e da Federação dos Servidores das Universidades Brasileiras (Fasubra).
A próxima semana promete ser agitada. Além dos três instrumentos jurídicos que o comando unifificado deverá propor na segunda-feira para cassar a liminar da 2ª Vara da Justiça Federal, que decidiu pela volta ao trabalho de 75% dos servidores, os grevistas também preparam ataques em outras frentes.
Um dos representantes do comando grevista em Londrina, professor Kennedy Piau, antecipou que os servidores decidiram, em assembléia, cobrar do Governo do Estado o cumprimento de emenda constitucional de 1998. Segundo Piau, a emenda estabelece que os Estados têm que repor anualmente aos salários dos servidores, o índice de inflação. A data-base da categoria é junho.
De outra parte, eles irão solicitar informações e providências do promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, sobre o relatório preparado pela Comissão Especial de Investigação que apurou denúncias de má administração e desvio de recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) durante a administração do ex-reitor Jackson Proença Testa. A assessoria da reitoria informou ontem que o reitor definiu que, ‘‘em face da existência de indícios de irregularidades’’, vai instaurar processo administrativo interno e encaminhar o relatório para o Ministério Público até terça-feira. A assessoria disse que o relatório ainda não foi enviado por causa das urgências que surgiram com as decisões judiciais sobre a greve. O promotor foi procurado pela Folha, mas não retornou a ligação até o fechamento desta edição.
Ontem ainda, o comando unificado se encontrou com a reitora da UEM, Neusa Altoé, para manifestar apoio a atitude que ela tomou em não demitir o professor Paulo Cezar Mathias nem punir com suspensão o professor João Alencar Pamphille (leia reportagem na página 4 do Primeiro Caderno). Os professores respondem a processos administrativos instaurado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) porque teriam prejudicado a realização da impressão das provas do vestibular durante a greve na UEM em 2000. ‘‘Não houve danos ao patrimônio público. Isso é ato de repressão e constitui perseguição política’’, argumentou Piau. Além disso, os servidores pretendem denunciar o caso em órgãos – nacional e internacional – de proteção dos direitos do cidadão.
Na Universidade de Londrina, uma reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) de ontem deferiu os pedidos para retorno das aulas para 150 formandos dos cursos de Ciências Contábeis, Ciências Econômicas e Matemática. A proposta dos membros é de que as aulas recomecem já na segunda-feira, 28 de janeiro. Na terça-feira, o Cepe se reúne novamente para analisar pedidos de outros cursos.

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