O comando de greve dos servidores estaduais pretende pedir aos deputados estaduais que retirem de pauta a discussão sobre o projeto de autonomia nas universidades, protocolado ontem na Assembléia Legislativa pelo governo do Estado. Os servidores alegam que o texto não contempla a reposição salarial, principal reivindicação do funcionalismo estadual das universidades de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Unioeste (Cascavel). A greve completa hoje 158 dias.
Em outra frente, o comando tentará vender aos deputados o projeto de autoria do funcionalismo que prevê um complemento de receita de R$ 90 milhões às universidades ainda para este ano. O ‘‘lobby’’ será iniciado na segunda-feira.
Ontem, o comando esteve reunido em Curitiba e teve acesso à proposta apresentada pelo governador Jaime Lerner (PFL). A matéria prevê repasse de 9% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) às universidades.
Conforme a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sinteemar), Ana Estela Codato Silva, o projeto precisa ser discutido com a comunidade universitária e com a sociedade antes de ser apreciado pelos deputados. ‘‘Pelos termos em que ele se apresenta somos contra e a greve continua.’’
A sindicalistas disse ainda que o repasse de 9% vai significar menos recursos às instituições. Isso porque o grosso do que é repassado é usado no pagamento de salários. Ela criticou também o fato de que, segundo o projeto, caberá ao governo indicar os membros do Conselho Gestor encarregado de fiscalizar os recursos repassados. ‘‘Ele quer privatizar as universidades e a comunidade não está sabendo disso.’’
O líder da bancada do PMDB na Assembléia - de oposição ao governo - Nereu Moura, destacou que o projeto sobre autonomia não resolve o problema das universidades e pode criar falsas expectativas. ‘‘O governo vai dar autonomia, os problemas vão se avolumar e as universidades vão ser sucateadas’’, frisou. Segundo ele, é preciso melhorar ‘‘essa idéia’’, com a análise das demandas financeiras de cada universidade.
De olho nas discussões realizadas em Curitiba, mas atentos aos problemas locais, os servidores decidiram ontem criar um fundo de greve para prevenir prováveis descontos nos salários do funcionalismo lotado no Hospital Universitário. Como ainda vigora a liminar que determina o retorno ao trabalho para esses servidores, os salários poderão ser descontados.

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