Grevistas pedem que Lerner
interceda junto ao governo federal
Paralisação das
universidades já conta
com apoio de
quatro governadores
Uma comissão formada por professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) esteve reunida ontem com o governador Jaime Lerner, para pedir apoio às ações que vêm sendo executadas pela Frente Parlamentar em Defesa do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, do Congresso Nacional. Formada por 63 deputados e contando com o apoio de quatro governadores, a frente está trabalhando para negociar, junto ao governo federal, as reivindicações dos professores das universidades federais, que estão em greve há mais de um mês, em quase todo o País. No Paraná, a paralisação completou ontem 34 dias.
Lerner não falou com a imprensa sobre o encontro, mas segundo o presidente da Associação dos Professores da UFPR, José Roberto Braga Portella, ele se mostrou favorável ao pedido de apoio. ‘‘O governador aceitou nossa solicitação e prometeu que entrará em contato com a frente parlamentar, com os governadores e com o ministro da Educação (Paulo Renato de Souza)’’, garantiu. Para Portella, o fato de Lerner ser professor licenciado da UFPR facilitou o contato.
Durante o encontro ficou acertado ainda que o governador conversaria ainda com o coordenador da frente parlamentar, Ivan Valente (PT-SP), e com a bancada paranaense que participa da movimentação. É neste ponto que o apoio prometido por Lerner pode ser esquecido. Isso porque a bancada do Paraná é liderada pelo deputado federal Maurício Requião (PMDB-PR), que não apoia o atual governo paranaense. Entre os governadores que estão apoiando a frente parlamentar estão Tasso Jereissati (CE), Eduardo Azeredo (MG), Victor Buaiz (ES) e Cristovão Buarque (DF).
O presidente da Associação dos Professores da UFPR explica que a comissão vem obtendo resultados positivos. Como exemplo, ele cita a audiência realizada no dia 12 deste mês, com o ministro da Educação. ‘‘Neste encontro sentimos um avanço, já que o ministro prometeu estudar um possível reajuste de salário, o que antes nem era cogitado’’, comentou. Sem aumento salarial há três anos e quatro meses, os grevistas reivindicam um reajuste de 48,65%. Segundo Portella, os integrantes da frente esperam que no próximo encontro com Paulo Renato, seja possível discutir um percentual de reajuste.
Apesar dos avanços dos últimos dias, Portella acredita que as negociações estão caminhando a passos lentos. ‘‘Desde que começamos a negociar, tivemos apenas três audiências, que aconteceram em março, abril e este mês. Se todos esses encontros tivessem ocorrido no primeiro mês, talvez não estaríamos em greve’’, disse. Hoje, a paralisação na UFPR entra em seu 35º dia. Pensando na volta aos trabalhos, os professores da universidade estão divididos em dois grupos que estudam como reiniciar o ano letivo sem prejuízos. Uma frente propõem a simples reposição das aulas, e a outra que os trabalhos reiniciem do zero assim que a greve terminar.

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