Professores e servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) decidiram, por unanimidade, rejeitar a proposta do juiz da 2º Vara da Justiça Federal, Danilo Pereira Júnior, de retomar as aulas em duas semanas, encerrando a greve que completa hoje 164 dias. A proposta previa a conclusão do ano letivo de 2001 pelo menos para todos os formandos. A recusa foi apresentada ontem de manhã, em uma reunião no gabinete do juiz, com representantes da Associação dos Servidores Técnicos-Administrativos da UEL (Assuel), Sindicato dos Professores Universitários de Londrina (Sindiprol), o reitor da UEL, Pedro Jordan e o procurador regional da República, Mário Ferreira Leite.
Também estão em greve as universidades de Maringá (UEM) e Cascavel (Unioeste).
Pereira Júnior não quis atender a imprensa após a reunião. Na sexta-feira, ele havia apresentado a proposta como uma forma de conciliação e adiantou que a recusa implicaria na continuidade da ação judicial que está em curso, o que pode gerar processos de responsabilidade civil, improibidade, prisão por descumprimento de ordem judicial e multas para UEL e sindicatos.
Segundo o presidente da Assuel, Itamar Rodrigues Nascimento, o juiz não quis escutar a justificativa dos sindicatos após ouvir a recusa. ‘‘O juiz simplesmente não nos deixou falar. Apenas questionou o reitor sobre diversos pontos do funcionamento da UEL e logo após nos dispensou’’, disse.
Os dois sindicatos haviam preparado contra-propostas para apresentar ao juiz. Entre elas estavam o pedido para que Pereira Júnior propusesse a retirada do projeto de lei do governo sobre a autonomia e a modificação nos anexos 1 e 4 do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), relativo à tabela de vencimentos.
‘‘Além disso, queríamos que o juiz também determinasse a prisão do governador Jaime Lerner caso ele não cumpra com o que determina a Constituição’’, explicou Ana Maria Pereira, vice-presidente do Sindiprol. Os dois sindicalistas disseram que se sentiram frustrados com a postura do juiz. ‘‘Nosso compromisso, que era de levar à assembléia a proposta, cumprimos. Mas queríamos que nos escutasse’’, afirmou Nascimento.
De acordo com o reitor, o juiz fez várias perguntas referentes à greve e ao funcionamento da universidade, inclusive quantos funcionários e estudantes a instituição tem e por que a reitoria não tomou a iniciativa de punir os grevistas já no início do movimento. ‘‘Não sei qual o objetivo, mas aparentemente ele está colhendo subsídios para abastecer o Tribunal Regional Federal de Porto Alegre’’, avaliou. Segundo ele, o juiz foi informado também sobre a possibilidade de o calendário letivo ser colocado em ordem apenas a partir de 2005.

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