Os servidores públicos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em greve há três dias, montaram acampamento ontem em frente ao prédio da reitoria. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Técnico-Administrativo (Assuel), Itamar Nascimento, os grevistas pretendem permanecer no local por tempo indeterminado, até que o governo estadual conceda a principal reivindicação da categoria, a reposição salarial de 50,03%, que não é paga desde 1996. Cerca de 30 funcionários vão pernoitar nas barracas de lona. A UEL tem cerca de 3,8 mil servidores.

Antes de armarem as barracas, os funcionários participaram de uma assembléia convocada pelo comando da greve. De acordo com presidente da Assuel, os grevistas vão angariar doações e conseguir alimentos junto à Fazenda Escola da UEL para fazer um sopão, que será servido diariamente aos manifestantes.

Um dos funcionários da UEL, o jardineiro José Madalosso, 42 anos, confessou que se sente constrangido em almoçar no Restaurante Universitário (RU), enquanto a família, em casa, come mal. Mesmo pagando R$ 0,70 por uma refeição no RU, ele, que ganha há quatro anos um salário de R$ 226,00, prefere trazer a ''bóia'' de casa e compartilhar do mesmo alimento que a esposa e os dois filhos menores. Morando em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina), Madalosso disse que ultimamente o salário mal dá para pagar as compras do mercado. A água e energia elétrica são pagas com o ordenado de R$ 80,00 que a esposa dele ganha como diarista. Para não passar mais necessidades, ele recorre duas ou três vezes por ano ao Núcleo de Bem-Estar da Comunidade (NUBEC), que promove doações de cestas básicas para os funcionários mais carentes.

Outro servidor da UEL, José Barnabé dos Santos, 52 anos, 24 deles trabalhando nos jardins do campus, compartilha da mesma idéia que Madalosso. Ele também traz marmita de casa porque se sente culpado em comer melhor do que a família. Casado, cinco filhos, Santos ganha R$ 370,00 e gasta R$ 130,00 com remédios para um dos filhos, portador de deficiência. Igual a Madalosso, ele não acredita muito que o governador Jaime Lerner vá atender as reivindicações. Ainda assim, eles consideram importante a paralisação, principalmente ''porque é nesse momento que o governo estadual conhece a força do funcionalismo''.

O comando de greve programou para hoje uma passeata de todos os servidores, que sairá do campus, passará pela Rua Humaitá, em direção ao Calçadão do centro da cidade, onde se encontrará com os docentes da UEL e os funcionários do setor de saúde.

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