Professores e servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Hospital Universitário (HU) fizeram ontem mais uma manifestação pelas ruas centrais da cidade. Eles distribuíram panfletos e explicaram para a comunidade os motivos da continuidade do movimento de greve que hoje completa 60 dias. A passeata teve ainda a participação de servidores da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Os grevistas, mais uma vez, optaram por encerrar a manifestação em frente ao edifício onde mora a vice-governadora Emília Belinati. Ela está na Noruega e volta da viagem no domingo. O professor Kennedy Piau, que representa os conselhos local e estadual de greve, explicou que além da sociedade, o movimento precisa do apoio das lideranças políticas e da base governista da região para diminuir o impasse com o Estado nas negociações. Essa greve, destaca o professor, já é a maior ocorrida na instituição tanto em adesão quanto no número de dias parados.

O comando local, informou o professor, aguarda a avaliação do juiz sob a ação civil pública com pedido de liminar exigindo a retomada imediata das aulas na UEL, protocolada ontem pelo Ministério Público Federal, para decidir o que fazer. O fim da greve, na opinião de Piau, depende muito mais de uma ação política do que jurídica. O descaso do governo com a educação, diz o professor, compromete muito mais que a paralisação. Ele comenta que a falta de investimentos provoca a necessidade da cobrança de taxas para os serviços prestados, bem como de mensalidades para os cursos de pós-graduação. ''A defasagem salarial está desmantelando o sistema público de ensino'', enfatizou.

O pedido de liminar foi protocolado no final da tarde de ontem pelo procurador regional da República, Mário Ferreira Leite. A ação será julgada na 2 Vara Federal, que tem à frente o juiz Danilo Pereira Júnior. Entre os réus estãos os sindicatos da categoria, a UEL e o governo estadual. A ação é baseada principalmente no fato de que não se está garantindo o direito ao ensino superior, prejudicando principalmente os estudantes que estão concluindo os cursos de graduação. Se o pedido for deferido, a UEL terá cinco dias para recomeçar as aulas. O procurador disse que o juiz deverá decidir em um prazo de até 10 dias.

No mesmo instante em que ocorria a passeata em Londrina, representantes das universidades de Londrina, Maringá e Cascavel se reuniram em Curitiba com o deputado Durval Amaral (PFL), que é líder do governo na Assembléia Legislativa. O deputado, de acordo com Piau, foi informado sobre as reivindicações do movimento e da disponibilidade de negociação por parte dos grevistas. Amaral se comprometeu em agir como interlocutor numa rodada de negociação entre o governo e a comissão de negociação do comando estadual. A reunião deve ocorrer na próxima terça-feira. (Colaborou Adriana De Cunto)

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