O impasse nas negociações entre professores de instituições federais e o Ministério da Educação (MEC) está deixando cada vez mais forte o movimento de greve unificada da qual participam 53 universidades. Em assembléia realizada ontem pelos professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, foi aprovada, por unanimidade, a manutenção do movimento grevista, que completa três meses no próximo dia 22. Além disso, os professores decidiram manter o termo de acordo proposto ao ministério, no último dia 31.
Depois de muita briga e discussão, os professores também decidiram não aceitar a contra-proposta do ministro de Educação, Paulo Renato de Souza, que previa o reajuste de 30% sobre a Gratificação de Estímulo a Docência (GED). ''Não queremos gratificações, já que nosso salário é composto por 33% delas. Até abrimos mão de reajuste salarial de 75,48%. O que realmente queremos é uma universidade gratuita de qualidade'', disse Hélio Marques, presidente da APUFPR (sindicato que representa a categoria). Mas, Marques destacou que os professores não abrem mão da incorporação da Gratificação por Atividade Exercida (GAE) aos salários, carreira progressiva única e contratação de 8 mil professores.
Se a greve persistir até o início de dezembro, o Vestibular 2002 da UFPR pode ser adiado e suspenso o segundo semestre letivo de 2001. ''É o que vai acontecer por conta da intransigência do Paulo Renato. Não é o que queremos, mas não teremos outra alternativa'', ameaçou Marques. Ele destacou que em 31 de outubro, o ministro tinha se proposto a assinar o termo de acordo que terminaria com a greve, mas voltou atrás na última hora. ''Ele alega que não tem R$ 350 milhões necessários para nos manter'', contou. Para Marques, o ministro não tem interesse em atender as reivindicações porque quer privatizar as universidades.
Marques contou que o ministro Gilson Dipp, do Supremo Tribunal Federal, tinha determinado ao MEC que pagasse os salários de outubro dos docentes na última sexta-feira. ''Mas, mais uma vez, Paulo Renato entrou com recurso no mesmo dia impedindo que recebessemos'', contou Marques. Os professores esperavam ainda ontem uma definição sobre os pagamentos.

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