Grevistas da UEL apostam em reunião
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quarta-feira, 24 de outubro de 2001
Adriana De Cunto<br> De Londrina 
A abertura de negociação e a apresentação de uma contraproposta do governo do Estado para o pedido de reajuste salarial dos funcionários e professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) são as condições mínimas para o fim da greve na instituição. A opinião é do presidente da Associação dos Servidores Técnico-Administrativo da UEL (Assuel), Itamar André Rodrigues do Nascimento. ''O governo disse que poderia dar um reajuste a partir de janeiro. A nossa esperança é que pelo menos ele (o governador Jaime Lerner) anunciasse um índice de reajuste. Mas nem isso ele fez'', reclamou. O desabafo de Itamar Nascimento aconteceu durante manifestação que reuniu grevistas e representantes de entidades, ontem à tarde, no centro de Londrina.
Um dos representantes dos professores no comando de greve, Kennedy Piau, não acredita que a greve seja suspensa só com o anúncio de um índice. Ele frisou que a principal reivindicação é o reajuste salarial de 50%, referente às perdas dos últimos cinco anos. 'Nós apresentamos nossa proposta. A abertura de negociação significa que o governo apresente uma contraproposta, que será avaliada pela categoria em assembléia'', afirmou. Piau lembrou que na década de 80, o salário inicial de um docente da UEL chegava a mil dólares (R$ 2.720,00). Atualmente, não chega a 300 dólares (R$ 816,00).
A greve da UEL completa hoje 39 dias e já provocou a suspensão do vestibular de janeiro de 2002, que pode até ser adiado. O calendário escolar também está ameaçado, principalmente se o governo estadual não acertar os salário do mês de setembro, pago somente 70%. Outra consequência é o fechamento do Hospital Universitário (HU), que desde o dia 11 de outubro passou a atender só casos de urgência, deixando de receber pacientes com consultas ou cirurgias previamente marcadas.
Os grevistas têm esperança que a situação avance a partir de uma reunião, hoje, às 15 horas, em Curitiba, entre uma comissão londrinense e o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig. Ontem à tarde, havia a informação não confirmada de que participaria também do encontro o secretário da Comunicação, Rafael Greca. A comissão é formada pelo arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin, pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), pelos vereadores Tercílio Turini (PSDB) e Félix Ribeiro (PPS), pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Jorge Hiraiwa, pelo professor César Caggiano Santos e pelo padre Silvio Andrei, assessor de comunicação da arquidiocese. Ontem também havia dúvidas sobre quem representaria a UEL: o reitor Pedro Gordan ou a vice-reitora Vera Suguihiro. A reunião foi intermediada por dom Albano Cavallin.
''A expectativa em relação à reunião é grande porque a comissão tem uma grande força política'', disse Itamar do Nascimento. Tercílio Turini, que também é professor da UEL, argumenta que a situação é grave e que todo mundo está perdendo com a greve. ''O pessoal chegou ao limite máximo'', acredita. ''Eles (grevistas) querem que o governo acene com a possibilidade de uma negociação.''


