Ney de SouzaFuncionários do hotel acampam na entrada do estabelecimentoUm grupo de 85 dos 94 funcionários do Hotel Internacional - um dos quatro hotéis cinco estrelas de Foz do Iguaçu - está acampado há uma semana na entrada do estabelecimento. Os grevistas reivindicam o pagamento de salários e férias atrasadas e o fornecimento de vale-transporte.
Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro de Foz do Iguaçu, Telmar Schossler, há casos de funcionários que não recebem há dez meses - desde dezembro do ano passado: ‘‘Muitos empregados entraram em férias no ano passado e ainda não receberam’’.
Além disso, de acordo com o dirigente sindical, desde março de 95 a empresa não deposita o FGTS e a parcela patronal do INSS dos salários dos funcionários e estaria fornecendo vale-transporte parceladamente. Cálculo feito pelo sindicato mostra que apenas em salários e férias o hotel deve R$ 55 mil.
O gerente do hotel, Roberto Szafranek, negou que a dívida com os funcionários alcance esses valores. Segundo ele, a empresa deve cerca de R$ 10 mil, somando-se resíduos de salários dos meses de maio, junho e setembro e férias. Szafranek afirmou também que o hotel passa por dificuldades mas, ainda esta semana, deverá ter o dinheiro suficiente para pagar as dívidas.
Os funcionários em greve acamparam na entrada do hotel, onde preparam refeições em um fogão e uma churrasqueira improvisados. Em sistema de revezamento, eles permanecem no local durante a noite.
Um dos acampados é o auxiliar de serviços gerais Justino Antunes, de 41 anos, que trabalha no hotel há dois anos e dois meses. Antunes - que recebe R$ 190,00 mensais -, disse que não recebe pagamento desde o dia 20 de maio.
Construído há cerca de dez anos, o Hotel Internacional ocupa um dos edifícios mais imponentes de Foz do Iguaçu. O prédio, redondo e revestido com vidro fumê, tem 18 andares. Possui 220 apartamentos, quatro suítes, salão de convenções, salão de festas, quatro bares e quatro restaurantes. O estabelecimento pertence ao empresário paraguaio Humberto Bartini, que vive em Assunção. Desde julho, o hotel está à venda, por cerca de R$ 12 milhões, segundo a Folha apurou.

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