Professores, funcionários e estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) fizeram uma manifestação com abraço simbólico ao prédio central da instituição, na Praça Santos Andrade, em protesto contra os baixos salários, falta de professores, sucateamento e privatização das universidades. O professor Lafaiete Neves, representante da Associação Nacional dos Docentes no Ensino Superior (Andes), diz que a greve está mais forte do que o governo esperava e, por isso, pode haver avanços na negociação.
Em todo o Brasil, 46 das 52 universidades federais aderiram à paralisação, que no Paraná completa 17 dias hoje. Os professores pedem reajuste salarial emergencial de 48,65% e reposição das vagas dos professores que se aposentaram. Além disso, eles rejeitam o Programa de Incentivo à Docência (PID). Segundo Neves, o PID é uma tentativa de mascarar um reajuste salarial para parte dos professores, beneficiando apenas 25% deles.
Nos últimos dez anos 6,8 mil professores se aposentaram ou deixaram a carreira, mas as vagas não foram repostas. Este ano o Ministério da Educação abriu 2,1 mil vagas para reposição. O professor Lafaiete Neves diz que em 1989 havia 50 mil professores e hoje são apenas 42 mil. Já o número de estudantes aumentou de 350 mil para 480 mil no mesmo período e o número de teses defendidas nas universidades federais triplicou nos últimos sete anos, chegando a 6 mil.
A Andes considera que o Ministério da Educação errou na avaliação da greve e agora vai ter que voltar atrás na decisão de considerar as negociações esgotadas. ‘‘Temos cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, que são professores da Universidade de Brasília, aderindo à greve’’, destaca Lafaiete Neves.
Os professores também querem saber onde foram parar os R$ 674 milhões que o Ministério da Educação contabiliza como investimento e custeio, mas que não aparecem nas contas das universidades federais. Do total de R$ 6,4 bilhões recebidos, R$ 4,6 bi foram para pagamento de pessoal, R$ 429 milhões para pagamento de precatórios, R$ 228 milhões em benefícios e residência médica, R$ 387 milhões para manutenção e R$ 25 milhões para investimentos. Sobre o reajuste salarial, segundo Hideo Araki, do comando de greve local, o ministério informou não ter competência para reajustar salários, deixando o assunto sob responsabilidade exclusiva da equipe econômica do governo federal.

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