Greve pode afetar fornecimento de energia
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quarta-feira, 31 de maio de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu e Agência Estado 
O País atravessa período crítico que pode levar à interrupção de energia elétrica. A greve de 48 horas dos funcionários das empresas federais de geração de eletricidade, iniciada hoje, pode afetar o abastecimento caso ocorram acidentes nas linhas de transmissão. A maior parte da energia que abastece o Brasil é produzida pelo Sistema Eletrobrás. O secretário da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Mauro Martinelli, disse que a categoria cruzou os braços e não montou esquema de emergência para manter a continuidade da operação do setor.
Na prática, a paralisação dos eletricitários não obedeceu à Lei de Greve, que prevê um contigente de empregados para atender casos como danos as linhas de transmissão ou defeitos nas subestações que pertencem às companhias controladas pela Eletrobrás.
A mobilização da categoria levou o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, a reunir-se com o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, e o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos. Até o início da noite de hoje, os sindicalistas aguardavam um telefonema de Tourinho ou Firmino para retomar a negociação com a categoria.
Martinelli disse que a greve dos empregados da Eletrobrás teve adesão de 27 mil funcionários em todo o País. Isso representa 90% da quantidade de empregados. A paralisação por dois dias é uma forma de forçar o acordo salarial já que a data-base é no mês de maio e não houve qualquer sinal do governo de analisar a pauta de reivindicação. Para agravar a situação, serão realizadas amanhã, às 9 horas, assembléias regionais que podem aprovar uma greve por tempo indeterminado a partir do dia 7 de junho.
Os cinco mil funcionários das 44 subestações das Furnas Centrais Elétricas S.A. também aderiram à paralisação. Eles reivindicam reajuste salarial e reposição das perdas dos últimos cinco anos. Na subestação de Foz do Iguaçu a adesão foi total. Dos 200 funcionários, somente quatro operadores ficaram monitorando o sistema, responsável por 26% do fornecimento de energia elétrica do País. Eles também apoiam a greve, tanto que fazem apenas a leitura dos equipamentos. Não existe qualquer inspeção nas máquinas, explicou o diretor de Comunicação do Sindicato dos Eletricitários de Foz (Sinefi), Paulo Vitor Gautériol.


