Greve piora superlotação em hospitais
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de junho de 2000
Betânia Rodrigues e Silvana Leão De Londrina 
A greve deflagrada ontem pelos funcionários do Hospital Universitário (HU) e Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) refletiu na situação já complicada enfrentada por outros hospitais da cidade. Na Santa Casa, o pronto-socorro (PS) está superlotado e a direção clínica decidiu que a partir de hoje só serão atendidos os casos de urgência e emergência.
No Hospital Infantil, a superlotação que vem sendo registrada já há alguns dias foi agravada ontem, e a preocupação dos médicos é o que fazer nos próximos dias, caso a greve continue.
Problemas com excesso de pacientes também vêm sendo enfrentados no Pronto Antendimento Infantil (PAI). Segundo uma funcionária que preferiu não se identificar, há alguns dias o movimento tem sido maior que o normal, mas na noite de domingo para segunda a situação chegou ao ponto de crianças serem internadas sobre mesas de médicos.
Quando tinha uma maca, a gente colocava uma criança de cada lado e usava o mesmo suporte para soro, relatou a auxiliar de enfermagem. O diretor do pronto-atendimento, Jonilson Favaretto, confirmou a superlotação. Segundo ele, a procura pelos serviços da unidade de saúde aumentou em aproximadamente 20% ontem, em função da greve do HU e do HC.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (SinSaúde) de Londrina, Ana Maria Cruz, considerou tranquilas as primeiras horas de paralisação no HU e HC. Ela informou que desde a 0 hora, todos os casos que chegavam aos dois hospitais eram rapidamente triados e somente os de urgência e emergência foram atendidos.
De acordo com Ana Maria, a adesão é de 100% da categoria. Apenas 40% dos 1.600 servidores do HU estão trabalhando em esquema de revezamento para atender aos casos mais sérios. Somente as consultas de retorno pós-operatório estão sendo realizadas. De acordo com Ana Maria Cruz, os 284 leitos do hospital estão lotados e todas as cirurgias foram suspensas.
Diariamente, o HU atende cerca de 200 consultas e o HC de 300 a 350. Essa demanda vem de todo Estado, sul do Mato Grosso do Sul e São Paulo. Orientamos as pessoas a procurarem os postos de saúde, Santa Casa, hospitais da zona norte e zona sul. Não vamos deixar ninguém sem atendimento, mas também não voltaremos ao trabalho enquanto não tivermos uma contraproposta às reivindicações, disse a sindicalista. A categoria pede, entre outras coisas, reposição de 41,14%. Para Ana Maria, os outros estabelecimentos de saúde da cidade poderão aguentar o acúmulo de pacientes, no máximo, por quatro dias. Depois disso será o caos, definiu.
Por volta das 9h30 de ontem, cinco pessoas esperavam atendimento na recepção do HU. Todas disseram que não sabiam da greve. O casal Silvana Aparecida da Silva Daniel e Rosemir Daniel queria uma consulta para o filho João Vitor de um ano e dois meses. Moramos há dois meses na cidade e não conhecemos outro hospital mais perto, disse Rosemir Daniel. A dona de casa Enedina Diniz dos Santos estava lá para passar por uma consulta de retorno. Há uma semana, ela foi submetida a uma cirurgia que retirou um caroço da mão esquerda. Apesar do transtorno que vai causar, acho justa a paralisação, apoiou.
Como medida de precaução, a Santa Casa está orientando as pessoas a procurarem atendimento imediato nos postos de saúde. O superintendente Fahd Haddad conta com o apoio da Central de Vagas, caso haja sobrecarga de internações. Os 160 leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) já estavam lotados, ontem.


