Greve paralisa produção na Usina Central
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quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Porecatu - Com a greve que mobiliza cerca de 350 funcionários do setor de transportes, a Usina Central do Paraná S/A Agricultura e Comércio, de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), paralisou seu processo de produção. Sem matéria-prima, a divisão de moagem, responsável pelo processamento da cana-de-açúcar, está sem funcionar há seis dias, desde sábado passado. A Folha apurou que somente o setor administrativo da usina continua trabalhando normalmente. Os funcionários que trabalham nos campos de cana-de-açúcar devem ser deslocados para outras atividades enquanto a paralisação continuar.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva, a usina vem se recusando a negociar a pauta de reivindicações da categoria. Entre elas, a fixação do piso salarial em R$ 800,00. A entidade representa motoristas, tratoristas, operadores de máquinas, mecânicos e pessoal de manutenção da usina. ''Há mais de cinco meses a usina se recusa a sentar e negociar o que a categoria pede. Eles alegam que os funcionários pertencem a um sindicato de Porecatu, e não ao nosso. Mas o que está em discussão são os direitos dos trabalhadores'', argumentou.
O presidente do sindicato também reclama da redução do poder aquisitivo dos trabalhadores do setor de transportes. Com a implantação de mais um turno de trabalho, utilizando mão-de-obra terceirizada, segundo ele, o salário foi reduzido em até 40%. ''Nos últimos anos, com dois turnos, eles praticamente dobravam o salário em horas-extras. Hoje, com mais um turno, e mais funcionários, o salário caiu'', disse. ''Por isso, estamos reivindicando um salário nominal de R$ 800,00, mais o pagamento de duas horas-extras por dia'', prosseguiu. Segundo o presidente, a usina não reajusta o salário da categoria de acordo com a convenção coletiva há mais de três anos.
Batista acusou a empresa de pressionar os grevistas a retornar ao trabalho, oferecendo garantia de reajuste assim que as atividades da usina voltassem ao normal. ''Tenho informações que eles entram dentro da casa dos funcionários e tentam desmerecer o movimento, dizendo que nossa greve não vai dar em nada'', afirmou.
A Subdelegacia Regional do Trabalho, em Londrina, convocou uma reunião para hoje de manhã, às 9 horas, na sede do órgão, com a presença de representantes legais do sindicato e da Usina Central, para discutir o cumprimento da convenção coletiva e eventuais direitos retroativos. Segundo Batista, a empresa já enviou ao Ministério do Trabalho um ofício solicitando o adiamento da discussão.
A Folha tentou ontem várias vezes conversar com algum representante da diretoria da Usina Central, mas não obteve sucesso. Em todas as ligações, a secretária da diretoria afirmava sempre que não havia ninguém presente no momento para falar sobre o assunto.


