Todos os setores da linha de produção da Simbal, maior indústria de estofados da América Latina, estão paralisados desde anteontem. A greve tem a adesão dos cerca de mil operários da empresa, localizada em Arapongas (40 km ao sul de Londrina). Milhares de peças deixaram de ser produzidas diariamente, com a paralisação de todo o complexo industrial, incluindo as fábricas de colchões, estofados, dormitórios, racks, estantes, couro sintético, plásticos, espumas e grampos industriais.
A greve entra hoje no terceiro dia mas ainda não houve negociações. A comissão de representantes dos funcionários informou que até ontem não havia sido recebida para discutir a greve. Já a direção da empresa sustenta que ainda não foi sequer oficializada sobre os motivos da greve.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Moveleiras de Arapongas, Manoel Francisco da Silva, os trabalhadores da Simbal querem 8,25% de aumento na comissão sobre a produção, retroativo a 1º de maio.
Porém, a principal motivação da greve, de acordo com o sindicalista, é a revolta com um gerente de produção da empresa, acusado de truculência, ofensa e discrminação racial de operários. Segundo denúncias de operários, o gerente também tem assediado funcionárias.
Os grevistas exigem que a direção da Simbal afaste o gerente de produção, ou adote providências cabíveis, visando corrigir sua conduta no relacionamento com os funcionários. Outra reclamação diz respeito à jornada de trabalho de alguns operários, que chegam a cumprir 15 horas diárias.
‘‘A categoria não teme demissões, e está disposta a manter a greve por quanto tempo for necessária’’, anunciou ontem o presidente do sindicato, Manoel Francisco da Silva. Ele disse que a categoria prepara uma passeata dos trabalhadores da Simbal, pelas principais avenidas da cidade.
Negociação A gerente de marketing da Simbal, Maria Luiza Romera Milani, informou que até ontem a empresa não havia sido comunicada oficialmente sobre a greve e suas justificativas.
‘‘Por enquanto só temos conhecimento do que está havendo através de informações divulgadas através de órgãos de comunicação’’, disse. Maria Luiza afirmou que a direção da empresa não foi procurada por sindicalistas ou representantes dos trabalhadores.
Incêndio A direção da Simbal, que já havia reativado os setores de estofados e espumas destruídos no incêndio do dia 30 de maio - que atingiu uma área de 5 mil metros quadrados -, não quis estimar os prejuízos que estão sendo causados com a greve. Apenas admite a adesão de 100% dos funcionários. A Simbal mantém negócios em todo o País e até mesmo com países do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul).

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