Funcionários da empresa Fossil Saneamento Ltda, responsável pela coleta das 300 toneladas de lixo geradas diariamente em Londrina, iniciaram ontem pela manhã greve por tempo intederminado. Eles reivindicam aumento salarial de 15% ou um mínimo de 8,67% para abrir negociação. A empresa, que tem sede em Belo Horizonte, aceita apenas a reposição da inflação de 5,05% e descartou qualquer índice de aumento real dos vencimentos durante reunião realizada na sexta-feira, com mediação do Ministério do Trabalho. A greve foi decidida durante conturbada assembléia ontem pela manhã, que culminou em discussão entre representantes da empresa e sindicalistas.
Coletores ouvidos pela Folha relatam que, por uma jornada diária de 30 a 40 quilômetros de corrida atrás dos caminhões e transporte de 3 a 4 toneladas de lixo, recebem salário base de R$ 451. Outras queixas apresentadas por funcionários apontam para inexistência de banheiro adequado o atual tem apenas um vaso sanitário para 93 funcionários e não possui água quente para os banhos e de local para refeições, Eles reclamam ainda da ''dupla'' jornada como mecânicos, já que os coletores são responsáveis pela troca de pneus e reparo de outras avarias ocorridas durante o serviço.
O início da paralisação foi marcado pela confusão entre os números apresentados por sindicalistas, a empresa, e a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que gerencia a execução do contrato. Enquanto o presidente da Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Paraná (Feaconspar), Manassés Oliveira, informava que a adesão passou de 90% entre os coletores, a Fossil e a CMTU indicavam apenas 10%.
Ainda pela manhã, um grupo de aproximadamente 30 funcionários se deslocou até o aterro sanitário, na Estrada do Limoeiro (Zona Leste), para impedir a entrada e saída de caminhões. Os motoristas que chegaram ao local enquanto a reportagem acompanhou a movimentação aceitaram os apelos dos grevistas e estacionaram os caminhões no acostamento. ''Se não pode entrar, não pode. Fazer o que?'', disse um condutor, que preferiu não se identificar. Ele relatou que a empresa teria mandado buscá-lo em casa para trabalhar, logo cedo.
O diretor operacional da CMTU, Fábio Reali, explicou que a coleta de lixo divide a cidade em três regiões: sul, centro e norte. Os caminhões passam três vezes por semana em cada setor, com exceção do Centro, onde a coleta é feita diariamente, à noite. De acordo com Reali, ontem, aproximadamente 25 bairros da Zona Sul ficaram sem coleta e cerca de 120 toneladas de lixo continuam nas ruas. ''Acho que a mesma coisa vai acontecer con o lixo do Centro'', avaliou.
Ele afirmou que a administração municipal só tomará providências caso o serviço deixe de ser realizado. ''A obrigação contratual é coletar o lixo e isso é o que cobraremos. A prefeitura faz o pagamento mensal de R$ 362 mil rigorosamente em dia''. Reali reconheceu que poderá haver atraso na coleta mas garantiu que haverá ''tolerância zero'' se a empresa deixar de cumprir suas obrigações. ''A pena é o cancelamento do contrato'', afirmou.

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