Greve pára servidores da Polícia Científica
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segunda-feira, 23 de setembro de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os funcionários do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) não aceitaram a proposta do governo para encerrar o movimento imediatamente e receber até as 14h30 da quarta-feira a proposta definitiva do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) da Polícia Científica do Paraná. Em assembléia no final da tarde de ontem, a categoria discutia a possibilidade de atender a exigência legal de manter o funcionamento de 20% das atividades consideradas essenciais, que nesse setor, resume-se ao serviço funerário e flagrantes de violência. Até o fechamento dessa edição, os servidores continuavam em assembléia.
O IC e o IML de Curitiba amanheceram ontem com os portões bloqueados por viaturas. A categoria parou as atividades de elaboração de laudos periciais, legistas e criminais para lutar por isonomia salarial. De acordo com o presidente da Associação dos Peritos Criminais do Paraná, José Ricardo Friedler, a greve foi a última alternativa da categoria para pressionar o governo do Estado a enviar para a Assembléia Legislativa o PCCS da categoria, que tem sido discutido desde junho deste ano.
O objetivo era fazer com que os deputados votassem o projeto antes das eleições, a exemplo do que aconteceu com os planos de isonomia salarial da Polícia Civil (PC) e da Polícia Militar (PM).
No Paraná, são 258 médicos legistas, peritos criminais, toxicologistas e químicos legais em atividade. Outros 88 são inativos e pensionistas. Entre as atividades desenvolvidas por eles estão buscas e remoção de cadáveres, o fornecimento de laudos sobre lesões, produção de causas materiais, exames toxicológicos, liberação de corpos, coleta de impressões digitais. Todos estes serviços ficaram suspensos ontem. Não foram realizados ainda os serviços do Programa de DNA Gratuito, do Instituto de Criminalística e do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca), que realiza teste para comprovação de paternidade.
Os corpos que desde às zero hora de ontem deveriam ter sido encaminhados para o IML de Curitiba, foram levados emergencialmente para o IML de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana. Até as 17 horas, oito cadáveres estavam nessa condição e foram recolhidos ao IML de Campina Grande sem passar por nenhuma perícia. Nas demais regiões do Estado, a orientação era para que os corpos fossem mantidos em hospitais.
Além de melhorias salariais, a categoria reclama da falta de pessoal para trabalhar satisfatoriamente. O PCCS representa um acréscimo de 50% sobre o pagamento mensal dos peritos e isonomia entre os ativos e inativos. Outra reivindicação que seria contemplada no plano é a de que as quatro classes de peritos tenham diferenças salariais não superiores a 5% entre elas. (Colaborou Denise Angelo)


