Greve pára maioria dos postos de saúde
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quarta-feira, 25 de dezembro de 1996
Lucília Okamura Warren Nabuco 
O primeiro dia de greve dos servidores municipais do setor da saúde foi tranquilo. Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), dos 55 postos de saúde, apenas 10 continuam atendendo normalmente.
A prefeitura possui cerca de 1.500 servidores municipais da área da saúde. Eles resolveram aderir à greve, iniciada anteontem pelos funcionários que trabalham no prédio administrativo, por causa do não pagamento integral do 13º salário. Cada um dos seis mil servidores municipais recebeu, no dia 20, R$ 200,00.
Dos quatro postos de saúde que funcionam 24 e 16 horas, apenas o localizado no conjunto Maria Cecília (zona norte) abriu normalmente. Segundo a auxiliar de enfermagem Maria Aparecida Julião, os 42 funcionários se reuniram e decidiram não aderir à greve. Não vamos ter lucro nenhum com isso, afirma.
Na opinião de Maria Aparecida, a paralisação iria prejudicar muito a população da região norte e também sobrecarregaria o Hospital da Zona Norte. Ela conta que o centro de saúde é responsável por aproximadamente 300 atendimentos diários. O centro de saúde ficará aberto hoje das 7 às 23 horas.
No posto de saúde do conjunto Milton Gavetti (zona norte), uma funcionária informa que o atendimento está sendo normal. Segundo ela, os servidores decidiram não parar, temendo desconto dos dias parados, a exemplo do que ocorreu na última greve. Em setembro, os servidores da saúde cruzaram os braços e a administração descontou os quatro dias em que ficaram parados.
No posto de saúde do jardim União da Vitória (zona sul) um cartaz avisava os pacientes que não haveria atendimento devido à greve. Sérgio de Almeida, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Ortigueira, foi ao posto buscar remédios para sua filha que estava com dores no estômago. A minha mulher levou a filha no Hospital da Zona Sul e falaram pra ela que podia vir aqui no posto pegar os remédios. Mas eu não sabia que eles estavam em greve, relata.
O presidente do Sindserv, Gláudio Renato de Lima, observa que a Maternidade Municipal estava atendendo somente as pacientes já internadas. Segundo o presidente da Autarquia Municipal de Saúde, Sílvio Fernandes da Silva, a maternidade está funcionando com apenas 25% de sua capacidade por causa de reformas no prédio. Os servidores devem manter a greve até o dia 2 de janeiro.
Anteontem à noite, no prédio da prefeitura, os servidores municipais começaram a receber a cesta básica - tíquetes cujo valor varia entre R$ 73,22 e R$ 80,33, conforme a faixa salarial. A distribuição prosseguiu durante toda a manhã de ontem. Segundo Gláudio de Lima, cerca de 85% dos servidores têm direito a este benefício.
A situação dos servidores está sendo atenuada com a cesta básica, afirma. Ele observa que três grandes supermercados e outros de médio e pequeno portes estão aceitando os tíquetes da prefeitura. O prefeito eleito Antônio Belinati intermediou negociação entre alguns supermercados, prometendo efetuar pagamento. Por causa da dívida que a prefeitua não quita, os supermercados tinham decidido, recentemente, não aceitar mais os tíquetes.


