O primeiro dia de greve dos servidores municipais do setor da saúde foi tranquilo. Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), dos 55 postos de saúde, apenas 10 continuam atendendo normalmente.
A prefeitura possui cerca de 1.500 servidores municipais da área da saúde. Eles resolveram aderir à greve, iniciada anteontem pelos funcionários que trabalham no prédio administrativo, por causa do não pagamento integral do 13º salário. Cada um dos seis mil servidores municipais recebeu, no dia 20, R$ 200,00.
Dos quatro postos de saúde que funcionam 24 e 16 horas, apenas o localizado no conjunto Maria Cecília (zona norte) abriu normalmente. Segundo a auxiliar de enfermagem Maria Aparecida Julião, os 42 funcionários se reuniram e decidiram não aderir à greve. ‘‘Não vamos ter lucro nenhum com isso’’, afirma.
Na opinião de Maria Aparecida, a paralisação iria prejudicar muito a população da região norte e também sobrecarregaria o Hospital da Zona Norte. Ela conta que o centro de saúde é responsável por aproximadamente 300 atendimentos diários. O centro de saúde ficará aberto hoje das 7 às 23 horas.
No posto de saúde do conjunto Milton Gavetti (zona norte), uma funcionária informa que o atendimento está sendo normal. Segundo ela, os servidores decidiram não parar, temendo desconto dos dias parados, a exemplo do que ocorreu na última greve. Em setembro, os servidores da saúde cruzaram os braços e a administração descontou os quatro dias em que ficaram parados.
No posto de saúde do jardim União da Vitória (zona sul) um cartaz avisava os pacientes que não haveria atendimento devido à greve. Sérgio de Almeida, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Ortigueira, foi ao posto buscar remédios para sua filha que estava com ‘‘dores no estômago’’. ‘‘A minha mulher levou a filha no Hospital da Zona Sul e falaram pra ela que podia vir aqui no posto pegar os remédios. Mas eu não sabia que eles estavam em greve’’, relata.
O presidente do Sindserv, Gláudio Renato de Lima, observa que a Maternidade Municipal estava atendendo somente as pacientes já internadas. Segundo o presidente da Autarquia Municipal de Saúde, Sílvio Fernandes da Silva, a maternidade está funcionando com apenas 25% de sua capacidade por causa de reformas no prédio. Os servidores devem manter a greve até o dia 2 de janeiro.
Anteontem à noite, no prédio da prefeitura, os servidores municipais começaram a receber a cesta básica - tíquetes cujo valor varia entre R$ 73,22 e R$ 80,33, conforme a faixa salarial. A distribuição prosseguiu durante toda a manhã de ontem. Segundo Gláudio de Lima, cerca de 85% dos servidores têm direito a este benefício.
‘‘A situação dos servidores está sendo atenuada com a cesta básica’’, afirma. Ele observa que três grandes supermercados e outros de médio e pequeno portes estão aceitando os tíquetes da prefeitura. O prefeito eleito Antônio Belinati intermediou negociação entre alguns supermercados, prometendo efetuar pagamento. Por causa da dívida que a prefeitua não quita, os supermercados tinham decidido, recentemente, não aceitar mais os tíquetes.

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