Cerca de 150 funcionários do Curtume Central de Maringá entraram em greve ontem de manhã por causa do atraso do salário de abril e das férias, falta de depósitos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e pagamento com cheques sem fundos. Os trabalhadores reivindicam também a diferença do reajuste nos salários de setembro a dezembro do ano passado e paralisaram as atividades para forçar uma negociação com o dono da empresa.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Artefatos e Curtimento de Couros e Peles de Maringá, Antonio Vicente Alves de Souza, os atrasos de pagamento e a falta de depósitos no FGTS vêm ocorrendo desde 1995, quando o curtume requereu concordata. ‘‘Nos últimos meses a situação ficou insustentável’’, reclama Souza. Segundo ele, vários funcionários com mais de dez anos de empresa só têm cerca de R$ 280,00 no FGTS. Além disso, Souza acusa a direção do curtume de pagar rescisões com cheques sem fundos e depois sustá-los.
O sindicalista diz que a maioria dos funcionários recebeu o adiantamento salarial e o pagamento de abril com cheques sem fundos. ‘‘Estou com a cabeça cheia e não sei mais o que fazer porque minha mulher me pergunta todo dia se eu recebi o pagamento para poder comprar uma blusa de frio para o meu filho’’, desabafa o descarnador José Valentim. A Folha tentou ouvir a direção do curtume, mas foi informada pelo porteiro da empresa que os diretores não iriam receber a reportagem porque não tinham nada a declarar.

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