Londrina está sem coleta de lixo desde a meia-noite de ontem. Os 200 funcionários da empresa Vega Ambiental, responsável pelo serviço de coleta entraram em greve ontem, reivindicando um reajuste salarial de 77% e aumento nos benefícios de insalubridade e vale-refeição. Apenas a coleta de lixo hospitalar está sendo mantida. Com a paralisação, cerca de 350 toneladas de lixo deixam de ser recolhidas, por dia, na cidade.
A empresa ofereceu um aumento de 7,48% correspondente à inflação dos últimos 12 meses, a contar da data-base da categoria de 1º de junho, o que não foi aceito pelos grevistas. O salário de um motorista da empresa é R$ 444,00 e dos coletores é de R$ 305,80, mais R$ 50,00 de adicional por insalubridade e R$ 130,00 de vale-refeição. Com a proposta da empresa, os motoristas passariam a receber R$ 472,65 e os coletores R$ 328,67. Além disso, o vale-refeição subiria para R$ 140,00 e o adicional insalubridade para R$ 78,00. Se a proposta dos grevistas for aceita, um motorista, por exemplo, passa a ganhar R$ 785,88.
Duas reuniões na tentativa de um acordo foram realizadas ontem com a direção da empresa e a Federação dos Empregados de Empresas de Asseamento e Conservação do Estado (representando o sindicato da categoria), Sindicato dos Rodoviários e uma comissão de trabalhadores. O diretor de Recursos Humanos da Vega, Jorge Costa, veio de São Paulo para auxiliar a direção regional e local nas negociações.
O presidente da Federação, Manassés Oliveira, tentou convencer os funcionários a aceitar a proposta da empresa. Ele argumentou que o índice oferecido pela Vega corresponde ao que está sendo concedido para as ações que chegam à Justiça do Trabalho. A maioria dos funcionários não aceitou a proposta e votou pela continução da greve.
Paralelo à negociação salarial a federação havia proposto à Vega que assinasse uma convenção coletiva garantindo a manutenção do emprego dos atuais funcionários e um piso salarial mais alto, mesmo que a empresa não vença a licitação para continuar prestando o serviço ao município. O acordo havia sido aceito pela direção da Vega.
Os funcionários alegam que há cinco anos eles não recebem aumento nos salários. No ano passado, a empresa, de acordo com um coletor de lixo que preferiu não se identificar, concedeu apenas aumento no vale-refeição e um bônus de R$ 150,00 parcelado em três meses. Esse valor, de acordo com ele, não foi incorporado aos salários. Por isso eles preferem discutir na Justiça o reajuste.
Ontem à tarde, a assessoria de imprensa da Vega Ambiental informou que aguarda o envio de documento do sindicato com a decisão da categoria sobre a continuidade da greve. A empresa espera que a situação seja resolvida pela Justiça do Trabalho. (Colaborou Edna Mendes)

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