Greve não deve acabar antes do dia 2
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terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Lucília Okamura 
O prédio administrativo da Prefeitura, na avenida Duque de Caxias (zona sul), permaneceu fechado o dia todo ontem devido à greve dos servidores municipais. Dos aproximadamente 1.500 funcionários que trabalham no local, poucas pessoas entraram no prédio, entre eles secretários, guardas municipais e oficce-boys. Os servidores pretendem manter a greve até o dia 2 de janeiro, em protesto ao não-pagamento integral do 13º salário.
Diretores do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) apareceram às 7 horas na entrada do prédio, para evitar que os funcionários entrassem para trabalhar. Os poucos que entraram foram abordados em seguida pelos diretores, que fizeram um arrastão pelos dois andares da Prefeitura, pedindo que eles saíssem.
Às 8 horas, aproximadamente 200 pessoas já se concentravam em frente à Prefeitura. Muitos servidores nem apareceram para trabalhar porque sabiam da greve, observa o presidente do Sindserv, Gláudio Renato de Lima.
O secretário municipal de Educação, Luiz Carlos Bruschi, entrou na Prefeitura pouco depois das 7 horas e ficou sozinho na sala trabalhando. Tenho ofícios e relatórios para fazer, justifica. O secretário informa que costuma sempre ir trabalhar antes das 8 horas.
Luiz Carlos Bruschi afirma que a greve não afetou a sua Secretaria, já que a grande maioria está em recesso. Costumamos parar antes do Natal e voltamos com força total depois do Ano Novo, relata. Dos 50 funcionários da Secretaria que trabalham no prédio, apenas seis não estão em férias coletivas.
A secretária geral da Prefeitura, Alice Cardamone Diniz, e o chefe de gabinete, Agnaldo Kupper, também apareceram pela manhã, mas não quiseram dar declarações sobre a greve. Kupper apenas afirmou que a arrecadação está sendo prejudicada com a greve.
Os 6 mil servidores da prefeitura receberam apenas R$ 200,00 cada, depositados na conta corrente na sexta-feira. A folha de pagamento da Prefeitura é de cerca de R$ 4,5 milhões. Gláudio de Lima lembra que a administração deveria ter pago também a cesta básica para os servidores no último dia 20. O valor do tíquete varia entre R$ 73,22 e R$ 80,33, conforme a faixa salarial.
O jardineiro José Paulo Ferreira, que mora no distrito de Irerê (zona sul), esteve ontem de manhã na Prefeitura para saber se havia perspectivas de que o restante do 13º salário fosse pago. Vou passar este Natal endividado e sem comprar presentes para ninguém, lamenta.
José Paulo Ferreira conta que é casado e tem seis filhos pequenos. Ele conta que trabalha na Prefeitura há 11 anos e garante: esta é a primeira vez que atrasa o 13º salário.
Lourival de Pádua, que trabalha na oficina da Prefeitura há 18 anos, tinha esperanças ontem de que saísse a cesta básica. Já que não pagaram o 13º salário, pelo menos, que dessem a cesta básica para fazer umas comprinhas, justifica. Ele acredita que só receberá o 13º salário após o Natal e confessa estar decepcionado com o prefeito Luiz Eduardo Cheida. Eu não esperava isso dele.
A auxiliar de odontologia Maria da Glória Macedo afirma que este Natal será caótico e muito triste. O Natal será um dia como outro qualquer, não vai ter nada, ressalta. Ela também tece críticas a Cheida, afirmando que lhe falta humanidade. Enquanto ele gasta dinheiro fazendo publicidade de suas obras, falta dinheiro na mesa do pobre, observa.
Reunidos em assembléia ontem, os servidores que trabalham no prédio administrativo decidiram não realizar a passeata até o centro, como estava programado. Ao invés disto, eles irão formar uma comissão para falar com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Abílio Medeiros.
A comissão pretende pedir que a Acil interceda junto aos comerciantes, para que não compliquem a situação dos servidores que estão devendo. Os servidores voltam a se reunir no dia 27, às 8 horas, em frente à Prefeitura, para avaliar o movimento.
Glaúdio de Lima rebate a afirmação do chefe de gabinete Agnaldo Kupper e garante que a arrecadação da Prefeitura não está sendo prejudicada, já que as notificações são enviadas para a casa do contribuinte, que pode efetuar o pagamento no Banestado. O presidente do Sindserv critica ainda o secretário da Fazenda, Erasmo Garanhão, que, na sua opinião, não deve voltar mais à Prefeitura. Na sexta-feira, ele se despediu de todos os funcionários e foi embora, afirma. O secretário não foi encontrado pela Folha para confirmar a informação.
Os 95 funcionários da Câmara de Vereadores também ficaram sem receber o salário deste mês, porque a Prefeitura não efetuou o repasse de R$ 436 mil. O valor é referente ao salário deste mês e à rescisão de contrato dos funcionários comissionados.


