Curitiba - Os 1,3 mil funcionários do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba, contratados pela Fundação para o Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná (Funpar), estão em greve desde às 6 horas de ontem. Entretanto, até o fechamento desta edição, a paralisação não havia afetado o atendimento, com os serviços de marcação de consultas, atendimento ambulatorial e internamentos funcionando normalmente. A exceção foi do setor de oftalmologia que, no período da tarde, suspendeu os internamentos.
O primeiro dia de greve foi calmo. Inês Kowalski Lavina e seu marido, por exemplo, conseguiram ser atendidos sem problemas. ''Consegui marcar as consultas e não houve atrasos'', contou. Inês agendou uma cirurgia para amanhã, com internamento previsto para hoje.
O presidente do Sinditest, o sindicato que representa a categoria no Paraná, Antônio Neris de Souza, disse que a paralisação atinge cerca de 30% dos funcionários nos setores de zeladoria, manutenção, farmácia, enfermagem, laboratório e raio-x. A intenção, de acordo com ele, é construir a greve aos poucos. Ao todo, o HC maior hospital público no Estado tem 3,5 mil funcionários, sendo que 2,2 mil são contratados diretos pela UFPR.
O diretor-geral do HC, Giovanni Loddo, alega que apenas 52 funcionários aderiram à greve. Só hoje a direção diz que poderá ter uma avaliação precisa dos setores comprometidos, mas Loddo foi taxativo ao afirmar que não admitirá prejuízos no atendimento em áreas críticas como o pronto-atendimento e unidades de terapia intensiva (UTI's).
A diretoria do HC condicionou a negociação do acordo coletivo à entrega, pelo sindicato, de toda documentação prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Para isso, o HC recorreu à Justiça e obteve liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9 Região, obrigando o Sinditest a exibir os documentos exigidos pela Funpar.
A categoria tem data-base em 1º de maio e reivindica reposição salarial de 18,75% referente à inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos últimos 12 meses; 26% de reajuste no vale-alimentação; hora-extra de 100% e manutenção da carga horária de 30 horas semanais. (Com Andréa Lombardo)

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