Os servidores municipais de Foz do Iguaçu em greve tentaram impedir ontem a entrada de funcionários no trabalho. Enquanto ocorriam agressões e troca de insultos na entrada da prefeitura, os advogados da categoria avaliavam as contas do município, bloqueadas anteontem por liminar da Justiça. A greve foi deflagrada pelo sindicato da categoria, que pede ao prefeito Harry Daijó (PPB) o acerto dos salários atrasados.
A funcionária comissionada do Departamento de Patrimônio, Marizabete Fernandes Camacho, foi barrada por pelos manifestantes a acabou trocando tapas com a diretora do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (Sismufi), Cacilda Tavares. Ambas prestaram queixa na Delegacia da Mulher.
Com exceção desse incidente, a mobilização seguiu tranquila durante todo o dia. Aderiram a greve os funcionários do edifício-sede da administração, das creches, dos 24 postos de saúde e do Departamento de Serviços de Foz do Iguaçu (DPSM). ‘‘Calculamos uma adesão de 90% daqueles que ainda não receberam salários’’, disse Cacilda.
Segundo informações do Sismufi, dos 4,2 mil funcionários que trabalham na administração pública, somente 1,6 mil – pessoal do setor de educação – receberam o salário deste mês. O restante está com o pagamento atrasado há 13 dias. Nos últimos quatro anos, a prefeitura pagou somente três meses em dia.
Como não foi dado nenhuma data específica para o recebimento do dinheiro, o juiz da 1ª Vara Cível de Foz, Stewalt Camargo Filho, barrou as movimentações financeiras do município, principalmente os depósitos de ICMS e royalties da Itaipu. ‘‘Ordeno o bloqueio da importâncias repassadas até o valor total da folha de pagamento do mês de setembro’’, despachou Filho.
Segundo levantamentos dos advogados, o saldo do caixa da prefeitura era de R$ 1,38 milhão. ‘‘O dinheiro será usado para pagar cerca de 2 mil funcionários que ganham até R$ 600,00. O que sobrar vai para a administração indireta’’, disse a diretora do Sismufi, lembrando ainda que os servidores públicos que ganham acima deste valor receberão somente no dia 25. O prefeito não foi encontrado para falar como será pago o restante dos salários. Segundo determina a lei, os royalties não podem ser usados para quitar dívidas com o funcionalismo.