Os 12 funcionários da Câmara de Vereadores de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) entraram ontem em greve por tempo indeterminado. O movimento aconteceu porque eles estão sem receber há mais de quatro meses. O último salário foi pago em fevereiro. Além disso, os servidores ainda não receberam as últimas quatro folhas de pagamento de 1996. A situação dos vereadores é parecida: eles não recebem desde dezembro.
Esta é a segunda vez que os servidores da Câmara de Goioerê entram em greve em menos de um ano. Em julho do ano passado, a greve durou duas semanas e só terminou depois que a prefeitura fez um repasse que permitiu o pagamento de parte dos salários atrasados. ‘‘Os servidores têm razão em entrar em greve’’, disse o presidente da Câmara, Antônio Bernardino Sena (PMDB). ‘‘Fiz o que pude, mas a prefeitura não repassa o duodécimo’’, justificou.
Na semana passada, Sena chegou a enviar à Procuradoria Geral do Estado um pedido de intervenção na prefeitura de Goioerê. Ele acusa o município de não cumprir um mandado de segurança que garantia os repasses mensais à Câmara. O pedido de Sena, no entanto, não passou pelo plenário, onde o prefeito Vicente Okamoto (PSDB) mantém apoio da maioria dos vereadores.
Uma sessão extraordinária que estava marcada para acontecer no final da tarde de ontem foi cancelada. ‘‘A própria prefeitura vai ser prejudicada’’, disse. No início do mês, Sena também protagonizou uma cena inédita: devolveu à prefeitura um repasse de R$ 15 mil. Uma semana depois, o município mandou o repasse ‘‘corrigido’’: R$ 30 mil.
A situação na prefeitura não é diferente da Câmara. Os funcionários recebem aos poucos e acumulam quatro meses de salários atrasados. Quatro das cinco folhas deixadas sem pagamento pelo ex-prefeito José Paulo Novaes (PDT) também não foram pagas. A prefeitura, no entanto, diz que a Câmara não ajuda o município na contenção de despesas. Um dos exemplos citados é sobre os salários dos vereadores (R$ 2,7 mil), que são os maiores da região de Campo Mourão.

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