Greve longa desmotiva alunos da UFPR
Greve longa desmotiva alunos da UFPR
Estudantes já estão sem aulas há 40 dias e, embora a Reitoria manifeste confiança, não há perspectiva de retomada do calendário
Recurso da Reitoria
quer impedir que
curso de Engenharia
mantenha aulas
Adriana Ribeiro
Marcelo AlmeidaHaroldo da Silva Tavares, do primeiro ano de História, está ansioso para voltar às aulasProfessores fora das salas e alunos sem aula. Esta foi a decisão tomada ontem por professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que realizaram assembléia e decidiram pela continuidade da greve que já dura 40 dias no Paraná. A Reitoria manifesta confiança de que as aulas serão retomadas ainda nesta semana.
Mas enquanto isso, a maioria dos alunos, mesmo os que apoiam a greve, não consegue esconder a desmotivação que sente por causa da paralisação. O sentimento é o mesmo para os calouros, que não chegaram a ter dois meses de aula; e para os veteranos, que já começam a se preocupar com um possível adiamento de formaturas.
Marcelo AlmeidaO calouro Arilson Tavares reclama da greve e já está chateado com o provável cancelamento das fériasO estudante do primeiro ano do curso de Engenharia Cartográfica Arilson Tavares, 23 anos, reclama da paralisação. Ele acredita que, além de provocar o cancelamento das férias, a greve prejudica o andamento das aulas. Quando a gente voltar, teremos um monte de provas e trabalhos, comenta.
Arilson Tavares trabalha como recepcionista na Casa do Estudante Universitário (CEU). Se não fosse isso, ele diz que já teria viajado para a casa dos pais, em Centenário do Sul, no Norte do Estado. Enquanto espera, Tavares aproveita para estudar. Fico só em casa. Não saio porque não gosto de Curitiba, confidencia.
A greve não preocupa apenas os calouros que entram na faculdade a todo vapor. Emanuel Orestes, 29 anos, já está pensando que a paralisação vai provocar a prorrogação de sua formatura, que está marcada para setembro deste ano. Como as aulas terminariam em julho, ele já se preparava para assumir seu primeiro emprego como agrônomo, numa empresa de São Paulo. No quinto ano de Agronomia, o estudante diz que terá de adiar os planos, confiante que não vai perder a vaga.
Ansioso para voltar às salas de aula, Haroldo da Silva Tavares, 18 anos, vai periodicamente à Reitoria para se informar sobre a situação. Aluno do primeiro ano de História, ele acha que a greve poderia ter resultados mais positivos, caso houvesse maior adesão dos professores. Enquanto muitos deles ficam aqui lutando, outros vão para a praia, diz. Para não perder tempo, ele está usando as folgas para ler os 20 livros indicados pelos professores. Mas não é a mesma coisa, diz.
Para quem só estuda sob pressão, como o estudante do segundo ano de Engenharia Elétrica Fernando Rodrigues, 20 anos, a paralisação não é benéfica. Ele conta que, desde que a greve começou, não estudou mais. Passear e namorar têm sido seus programas mais comuns nas últimas semanas.
Ontem, a Reitoria da universidade entrou com recurso contra liminar concedida ao curso de Engenharia Civil, que pediu a manutenção do calendário letivo. O curso está tendo aulas e não aceita a mudança do calendário, suspenso por resolução do Conselho de Ensino e Pesquisa (Cepe). Com a mudança, o novo calendário inclui o mês de julho.





