Uma greve por tempo indeterminado está prejudicando o atendimento dos pacientes no único hospital de Apucarana. Cerca de 50% dos 450 funcionários do Hospital da Providência e do Providência Materno-Infantil, que fazem parte da mesma unidade hospitalar, cruzaram os braços na última sexta-feira em protesto contra os baixos salários. Eles reivindicam reajuste de 100%, enquanto a direção do Providência acena com 5,9% de aumento, que seriam referentes à correção da inflação do último ano.
Acampados em frente ao hospital, os manifestantes denunciam um verdadeiro caos no atendimento no local. Pacientes estariam sendo atendidos por funcionários do setor administrativo e não por enfermeiros habilitados, o que é proibido segundo o regulamento do Conselho Regional de Enfermagem (Coren).
''Estão tirando gente até da portaria para fazer esse trabalho'', denuncia a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Maria de Lourdes Pereira. Com a falta de pessoal, muitos doentes estariam passando a noite sem banho, muitas vezes sujos de urina e fezes.
Maria de Lourdes revela que os grevistas montaram uma escala de atendimento para que os serviços básicos fossem mantidos. ''A direção do hospital não aceitou esse escalonamento e está colocando pessoas sem habilitação para o serviço, além de fazer contratações temporárias, o que é proibido por lei no caso de greve'', protesta. Ela afirma ainda que os manifestantes estão sendo ameaçados de demissão.
Os grevistas prometem ficar acampados em frente ao hospital até que saia um acordo. ''Não queremos prejudicar ninguém. Sabemos do valor das vidas humanas que estão em jogo, mas a situação da categoria é muito difícil'', afirmou a diretora à reportagem, cercada pelos manifestantes revoltados com a situação atual do hospital.
Além de reajuste de 100% nos pisos salariais das diversas funções, a categoria cobra outros benefícios, como direito à alimentação para os trabalhadores que cumprem jornada de 12 horas e pagamento de horas extras, entre outras reivindicações. ''Estamos há 17 anos sem reajuste salarial, com uma defasagem nos nossos vencimentos que ultrapassa 200%'', diz a sindicalista.
Ela lembra que o último aumento real nos ganhos ocorreu em 1991, quando foi realizada a última greve da categoria em Apucarana. ''Queremos negociar com a direção do hospital, mas sequer o revezamento dos funcionários em greve está sendo permitido'', reclama. A paralisação reúne enfermeiros, auxiliares de enfermagem, funcionários da cozinha, lavanderia e outros setores. Apenas os médicos e os trabalhadores do administrativo não aderiram ao movimento.
O Hospital da Providência é o único em atividade na cidade de Apucarana. De caráter filantrópico, é administrado pela Congregação Brasileira das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo e atende 17 municípios do Vale do Ivaí. Em 2006, o Providência assumiu o controle do Hospital e Maternidade Santa Helena, que enfrentava crise financeira, monopolizando o segmento. A reportagem procurou ontem os responsáveis pelo hospital. A atendente informou que não havia ninguém no local que pudesse dar entrevista. Ela também disse que não tinha autorização para repassar o telefone dos diretores.

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