Greve 'empaca' o reajuste do pedágio
Giovani Ferreira
De Curitiba
A mobilização nacional dos caminhoneiros, que estão protestando desde a última segunda-feira, deve protelar ainda mais a definição do governo sobre o reajuste da tarifa de pedágio no Paraná. Enquanto as concessionárias do Anel de Integração cobram uma posição do governador Jaime Lerner sobre o assunto, o governo resolveu calar-se diante da situação, dificultando as negociações e o diálogo com as partes envolvidas.
Rui Cichella, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setecpar), entende que o governo está ficando em uma situação cada vez mais difícil em relação ao pedágio. A falta de discussão e a dificuldade de negociação com os setores de transportes colocou o governo num mato sem cachorro, disse Cichella.
Na avaliação do sindicalista, o protesto dos motoristas deixa o governo ainda mais vulnerável, sem nenhuma possibilidade de reação. De acordo com Cichella, agora o governo não pode nem pensar em anunciar algum tipo de reajuste das tarifas de pedágio. Segundo Cichella, se por um lado esse impasse é bom porque os valores do pedágio permanecem inalterados, por outro a indefinição causa um clima de insegurança entre a categoria.
Para o diretor executivo da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), coronel Sérgio Malucelli, as discussões sobre o reajuste devem ser retomadas somente com o fim do protesto dos caminhoneiros. Sobre a possibilidade de um reajuste do pedágio para os próximos dias, Malucelli disse que o momento não é propício.
Antes mesmo da greve dos caminhoneiros, os sindicatos que representam a categoria já haviam anunciado que o reajuste das traifas virá acompanhado de protestos em todo o Estado. Diante do potencial de mobilização demonstrado pelos motoristas está semana, o governo fica ainda mais temeroso sobre as consequências que um reajuste pode causar neste momento.
O governo não deu nenhuma informação ontem sobre como está a negociação com as concessionárias e também sobre a expectativa sobre o reajuste. Foram contactas as secretarias de Comunicação e de Transportes, que não deram nenhum retorno aos questionamentos da Folha. O secretário dos Transportes, Henis Herwing, apesar dos insistentes telefonemas, também não foi encontrado.
Na tarde de ontem Cichella estava tentando agendar uma reunião na Secretraria dos Transportes para cobrar uma posição do governo sobre o assunto.





