Greve é mantida na Santa Casa
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 1998
Edna Mendes 
Os funcionários da Santa Casa de Foz do Iguaçu, que entraram em greve na sexta-feira à noite, prometem continuar com a paralisação até receber o salário de janeiro. A greve teve adesão de 100% dos 280 funcionários, mas o sindicato da categoria decidiu que 30% deles continuassem trabalhando para manter o funcionamento do hospital. A Santa Casa não pagou os salários de janeiro no último prazo estipulado pelos funcionários, que era o dia 13 de fevereiro.
O presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Foz do Iguaçu e Região, Valdinei Freitas Vieira, disse que os funcionários não estão dispostos a nenhum tipo de acordo com a direção do hospital. Estamos irredutíveis. Só acabamos com a greve quando pagarem o salário de janeiro. Desde abril do ano passado os salários estão sendo pagos com atraso ou parcelado, afirmou.
Segundo Freitas, no final de semana os funcionários do setor de enfermagem do Pronto-Socorro e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) trabalharam normalmente. Não houve nenhum incidente por falta de funcionários. Mas nesta semana estamos com dificuldades para convencer os funcionários dos setores essenciais a colaborar com os pacientes. Eles alegam que não estão vendo nenhuma proposta da Santa Casa e por isso não querem continuar trabalhando, disse.
A direção da Santa Casa alega que atrasou o salário de janeiro porque a Prefeitura de Foz do Iguaçu não fez o repasse dos recursos referente ao convênio que mantém com o hospital, para atendimentos de casos de emergência e urgência. Segundo a direção da Santa Casa, a prefeitura tem uma dívida de R$ 160 mil com o hospital.
O presidente do Conselho Superior da Santa Casa, Carlos Alberto Grolli, disse que, enquanto a prefeitura não fizer o repasse da verba do convênio, o hospital não tem como pagar os funcionários. A Santa Casa não tem dinheiro para o pagamento. Dependemos do dinheiro da prefeitura, afirmou.
Segundo ele, a greve não provocou grandes alterações nos serviços do hospital. Houve pequenos transtornos, mas nada que não pudesse ser superado, disse.
Grolli também afirmou que a greve é injusta e ilegal. Nós não fomos avisados 72 horas antes e a paralisação também não foi aprovada em assembléia, como prevê a lei. Pretendemos questionar isso judicialmente, avisou.


