A paralisação dos servidores públicos municipais de Colorado (85 km ao norte de Maringá), por causa do atraso de salários, está levando a cidade ao caos. Estão funcionando, de maneira precária, somente serviços essenciais. A coleta de lixo, que estava parada havia duas semanas, voltou ontem e aliviou a situação dos moradores. São cerca de 600 funcionários que reivindicam o pagamento dos salários atrasados há dois meses. A greve começou no dia 30 de outubro.
Desde o início da semana a população estava convivendo com o mau cheiro e o excesso de moscas por causa do lixo acumulado na frente das casas. Os funcionários só reiniciaram a coleta, feita com apenas dois caminhões, porque o juiz da comarca, Cláudio Camargo dos Santos, pediu a continuidade dos serviços essenciais. Além da coleta de lixo, os servidores mantêm, com dificuldade, a distribuição de água – cujo sistema é municipalizado – o transporte escolar e o ensino nas escolas do município.
O caos é percebido principalmente nos cinco postos de saúde da cidade. Os funcionários não paralisaram o serviço, mas convivem com a falta de veículo, de materiais para curativos e de medicamentos. Somente os casos de emergência são atendidos. Segundo os funcionários, o atendimento foi reduzido em quase 90%. ‘‘A situação é crítica porque falta muita coisa, inclusive o carro para continuarmos as visitas domiciliares de doentes que não podem se locomover até os postos’’, explicou a enfermeira-chefe do Posto Central, Suely Sayoko Hirata.
A representante dos servidores da área de saúde no sindicato da categoria, a auxiliar de enfermagem Isaura Bernardo de Oliveira, disse que a maioria dos funcionários está ‘‘desesperada’’. ‘‘Muitos choram nas assembléias porque não têm mais crédito junto aos comerciantes da cidade e não sabem mais como sustentar a família’’, ressaltou.
Representantes do sindicato disseram ontem que só retornam ao trabalho com o pagamento de todos os salários atrasados. Os valores variam de R$ 200,00 a R$ 700,00. Conforme a prefeitura, que por causa de uma decisão judicial está com as contas bloqueadas, a folha de pagamento consome cerca de R$ 350 mil.
O prefeito José de Alencar de Andrade (PMDB) não estava ontem em Colorado. Segundo assessores, Andrade passou o dia em Maringá com advogados analisando uma medida judicial para derrubar a liminar que bloqueia recursos do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios.
O prefeito alega que nos últimos meses a arrecadação caiu e não tem condições de manter o caixa da prefeitura em dia. O bloqueio dos recursos foi pedido através de uma ação proposta pelo sindicato dos servidores.

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