Osmani Costa
Os quatro funcionários que trabalham no setor de limpeza e transporte de cadáveres para o Instituto Médico Legal (IML) de Londrina completaram ontem 20 dias de paralisação em protesto ao não-recebimento dos salários dos meses de abril e maio. Eles são empregados da empresa londrinense Cisg, que desde dezembro do ano passado presta estes seviços aos 12 IMLs do interior do Estado, através de contrato com a Secretaria Estadual de Segurança.
Na tarde de ontem, eles estiveram novamente na sede do IML, na área central da cidade, mas não trabalharam. ‘‘Não voltaremos ao serviço enquanto não recebermos nossos salários. Nossas famílias estão passando necessidades porque estamos sem dinheiro para comprar alimentos, pagar o aluguel, a energia elétrica e outras contas’’, afirmou o motorista José Aparecido Gessi. Ele e os outros três grevistas têm salário bruto de R$ 200,00 mensais.
O médico-chefe do IML, Antonio Carlos de Queiroz, admite que a paralisação dos funcionários tem prejudicado o bom desempenho das atividades do órgão. ‘‘A situação da falta de limpeza é crítica, precária mesmo. Temos setores, como o necrotério, que não pode ficar um dia sem limpeza. E nos últimos 15 dias, só o limpamos uma vez, com o auxílio de particulares’’, comentou Queiroz, ressaltando que isto pode aumentar o risco de problemas que podem ser causados pela insalubridade aos outros profissionais do IML.
Queiroz disse ainda que a paralisação dos dois motoristas tem gerado problemas para as famílias de mortos nas 21 cidades da região. ‘‘Como não estamos podendo buscar os cadáveres, as famílias ficam à mercê da exploração das funerárias, que têm cobrado preços exorbitantes pelo transporte relativo a pequenas distâncias. Outro dia, uma funerária cobrou R$ 1 mil para trazer um corpo de uma cidade que fica a 20 km de Londrina. Isto é absurdo’’, criticou o chefe do IML.
O proprietário da empresa Cisg, Reinaldo de Almeida Andrade, argumentou que não tem como pagar seus 23 funcionários - nos 12 IMLs do interior - porque a Secretaria de Segurança não repassou os R$ 22,6 mil relativos aos meses de abril e maio. ‘‘Minha folha de pagamento mensal é de mais de R$ 7 mil. Não tenho como pagá-la se a secretaria não repassa os recursos previstos em nosso contrato. Caso o pagamento não saia até o início de julho, completando três meses de atraso, vou entrar com pedido de rescissão do contrato, porque não aguento mais’’, desabafou.
Informações da Secretaria de Segurança dão conta que os pagamentos não estão sendo feitos porque ainda não recebeu os ‘empenhos’ do IML do Paraná, comprovando os gastos mensais com a Cisg. Só com este documento do IML é que a Segurança enviará a solicitação de pagamento à Secretaria Estadual de Fazenda. A Folha não conseguiu contato telefônico, na tarde de ontem, com o setor do IML responsável pela emissão dos documentos aguardados pela Secretaria de Segurança.

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