Greve das universidades é a mais longa do Brasil
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de janeiro de 2002
Emerson Dias 
Às vésperas de completar quatro meses de greve, as universidades estaduais do Paraná passam para a história como a mais longa paralisação em massa já registrada no Brasil de um setor. A informação foi confirmada pelo professor de História Hélio da Costa, da Escola Sindical mantida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em São Paulo. Além da Universidade Estadual de Londrina (UEL), estão paralisadas as atividades nas universidades de Maringá (UEM) e do Oeste do Paraná (Unioeste).
Segundo Costa, além de pequenas mobilizações isoladas como a dos funcionários da fábrica de Biscoitos Aymoré em 1960, que totalizou cinco meses de protesto não há registro de um movimento grevista que tenha se estendido por tanto tempo. Além do levante das universidades federais (que durou 107 dias e foi encerrado em dezembro), houve uma greve dos bancários na era Vargas, em 1951, que durou 73 dias. Não me recordo de haver outra grande paralisação tão demorada, disse o professor, por telefone, que pesquisa o assunto para apresentá-lo na escola da CUT.
Entre os principais destaques da história do movimento sindical no País, estão a greve de 1953, quando 300 mil trabalhadores de diversas categorias cobraram reajuste salarial em São Paulo durante 24 dias; e a dos operários paulistas em 1979, quando cerca de três milhões de pessoas cruzaram os braços por 12 dias.
Na história antiga, uma das primeiras mobilizações registradas ocorreu na Grécia, em 495 (a.C.), quando a plebe recusou durante semanas servir o comando do Exército do ditador Mânio Valério, pedindo leis que beneficiassem o povo e exigindo a libertação de rebeldes presos.
Não há dados oficiais para definir qual a greve mais longa do mundo, mas estima-se que apenas uma universidade pública tenha registrado mais dias parados que as do Paraná. A Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), com 270 mil alunos, a maior instituição de ensino superior da América Latina foi palco de uma greve que durou um ano. Ao contrário do ocorrido no Estado, a manifestação realizada entre 1998 e 1999 foi comandada pelos universitários. Além de auxiliar milhares de docentes e funcionários, mantidos sem pagamento durante quase dez meses, os estudantes mais experientes chegaram a ministrar aulas para os novatos. A paralisação encerrou somente com o Exército invadindo o campus.
Depois de 116 dias de greve, os estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) decidiram agendar um novo protesto, previsto para a próxima segunda-feira, às 14 horas, no Calçadão. A manifestação será direcionada ao governador Jaime Lerner (PFL) e terá como tema Negocie Já!.


