Os policiais civis decidem hoje se acabam ou não a greve da categoria, iniciada na última quinta-feira. Em reunião realizada na tarde de ontem entre representantes da Casa Civil, Secretaria de Segurança Pública e Sindicato das Classes dos Policiais Civis (Sinclapol), o governo prometeu rever as reinvindicações dos policiais. A pauta será analisada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), que tem até o próximo dia 25 para dar uma resposta. A PGE vai avaliar se a pauta dos policiais se enquadra na Lei de Responsabilidade Fiscal.
A decisão sobre o fim da paralisação será tomada em Assembléia Geral da categoria, que acontece a partir das 10 horas, na sede do Sinclapol. O governo condicinou a análise das reivindicações ao fim da greve.
As informações sobre o impacto do movimento são divergentes. Enquanto o Sinclapol sustentava uma adesão de 80%, o governo garantia que a paralisação era ‘parcial’ e não comprometeu a segurança na Capital e interior. O vice-presidente do Sinclapol, Wilson Monteiro, acusa a secretaria de divulgar informações enganosas. Ele esclarece que, apesar dos plantões nas delegacias estarem funcionando, nem mesmo as viaturas foram utilizadas, pois não há gasolina. ‘‘Estamos atendendo apenas as emergências’’, enfatizou.
O efetivo da Polícia Civil é de 3,6 mil homens em todo o Estado. Ontem, em Curitiba, os funcionários realizavam apenas trabalhos burocráticos. Em Maringá e Londrina, os policiais não aderiram à greve. Em Ponta Grossa, trabalharam apenas os policiais civis aprovados no concurso realizado em 1997, nomeados nos últimos dias. O investigador Felipe Meira, do 2º DP de Ponta Grossa, disse que, assim como os outros concursados, não vai aderir à greve por ‘receio’. Ele diz acreditar que a paralisação é necessária, mas como esperou três anos para ser chamado, tem medo de ser prejudicado.
Em Cascavel e Foz do Iguaçu, a situação é semelhante e nem mesmo os boletins de ocorrência e as aberturas de inquérito foram realizados. Apesar disso, no final da tarde a Secretaria de Segurança afirmava que a situação estava controlada em todo o Estado. Na avaliação do Sinclapol, 95% das delegacias de Capital não funcionaram ontem.
A última paralisação da Polícia Civil aconteceu em 1997, quando o movimento durou dois dias.