Greve da CMTU faz alegria dos ambulantes
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quarta-feira, 11 de agosto de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A greve dos 243 funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), incluindo os agentes responsáveis pela fiscalização de trânsito e dos ambulantes, está fazendo a alegria dos vendedores que atuam na Área Central de Londrina. Os ambulantes comemoram a liberdade para ''ganhar o sustento da família'' sem preocupação com possíveis autuações e apreensões de mercadorias. Os motoristas, que por enquanto estão livres das multas, também criticaram o trabalho dos agentes. Na tarde de ontem, dezenas de ambulantes ocupavam o Calçadão, oferecendo aos consumidores uma diversidade de produtos, de capas de celular a morangos, passes de ônibus e redes.
''Eu comemorei quando soube que os agentes estavam em greve. É muito difícil a gente ter de trabalhar sob pressão. Está bem melhor agora'', destacou o vendedor de passes Osmar Bento, 61 anos. Desempregado há três anos, ele acredita que o trabalho dos ambulantes no Centro deveria ser liberado. ''O certo era liberar ou regularizar. Podia existir um alvará, mas que fosse barato'', acrescentou Bento, que afirma ainda que o dinheiro ganho nas ruas é pouco, suficiente apenas para garantir o próprio sustento.
Com a ausência dos agentes, os vendedores de frutas também passaram a ter dias de trabalho sem preocupação em fugir da fiscalização. Por usarem carrinhos de mão, os ambulantes que trabalham com morangos e goiabas, entre outros, são os que mais sofrem na hora de correr para evitar a apreensão das mercadorias. ''Claro que está melhor. Dá para trabalhar mais tranquilo'', atestou Wallace de Oliveira Souza, que vende castanha de caju. Ele contou que as caixas são amarradas ao carrinho justamente pela necessidade constante de fugir dos fiscais.
O vendedor de morangos Vágner Aparecido da Silva, 24 anos, disse que o problema não é a fiscalização, mas a atitude dos agentes. ''Fiscalização sempre teve. O problema é que agora eles só querem prender a mercadoria. Antes, pediam para a gente não ficar sempre no mesmo lugar e a gente atendia'', disse Silva. Ele concorda que um alvará barato seria uma alternativa para organizar o trabalho dos ambulantes. ''O Calçadão é grande. Tenho certeza que quem quer trabalhar de verdade não se importaria em pagar uma taxa de licença'', opinou o ambulante, que com os ganhos da rua sustenta esposa e filho.
A queixa de José Ricardo de Andrade, 22 anos, é em relação à atitude de parte dos agentes. ''Nosso trabalho não prejudica ninguém. Nós também não queremos prejudicar o serviço dos agentes, que também estão trabalhando. Mas seria possível ter harmonia entre os agentes e os ambulantes se a gente fosse tratado com mais educação'', declarou.
Enquanto a greve persiste e a harmonia entre os trabalhadores não se torna realidade, os ambulantes aproveitam para faturar, desde os vendedores de alimentos e utilitários, até um pintor, cujo ateliê é o próprio Calçadão.


