Maringá - No terceiro dia de paralisação dos servidores municipais de Maringá aumentou a preocupação das pessoas que dependem dos serviços públicos. Para muitas mães que trabalham fora e dependem das creches porque não tem com quem deixar os filhos, a greve está se tornando um caos. É o caso da vendedora Alice Ribeiro que teve que recorrer à mãe para cuidar dos filhos de cinco e três anos. ''Mesmo assim é muito transtorno porque tenho que esperar a minha mãe chegar em casa e ela também tem dificuldade para cuidar de duas crianças por causa da idade já avançada.''
Há também preocupação com o lixo que se acumula nos quintais, uma vez que os servidores não estão fazendo a coleta diariamente. Ontem, de acordo com o secretário de Meio Ambiente, José Eudes Januário, a prefeitura conseguiu colocar nas ruas quatro caminhões de coleta. Um deles foi usado para recolher lixo hospitalar. A prioridade foi o centro da cidade devido a concentração de restaurantes e condomínios. Para a próxima semana, segundo ele, serão viabilizados mais caminhões. ''Se a greve não acabar vamos alugar alguns caminhões e contratar catadores''.
A administração municipal suspendeu ontem as negociações com os servidores em greve. O motivo alegado pelo governo é o tratamento ''hostil'' adotado pelos grevistas nos piquetes realizados desde quinta-feira, em frente à prefeitura. Em nota distribuída à imprensa e ao comando de greve, a administração afirma que os piquetes causam constrangimentos físico e moral aos servidores que optaram pela continuidade ao trabalho.
''O piquete deve ser realizado como uma forma de convencer os trabalhadores a aderirem ao movimento, mas não para impedir aqueles que querem continuar trabalhando'', afirmou o chefe de gabinete, Reginaldo Dias. Segundo ele, as negociações com o comando de greve não retomam enquanto permanecer o tratamento hostil não só aos servidores como aos usuários. ''O usuário não pode ser hostilizado jamais durante uma greve e isso está ocorrendo.''
O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar), João Carlos Carrosi, nega que os grevistas estejam agindo com agressividade. Ele garante que o movimento está respeitando a manutenção dos servidores essenciais. Segundo Carrosi, a suspensão das negociações é uma forma de desmobilizar a categoria. ''Só que o governo se engana porque a melhor forma de acabar com a mobilização dos servidores em greve é justamente negociando com a categoria'', disse.

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