Os servidores técnico-administrativos do Hospital de Clínicas (HC) –o maior hospital universitário do Paranᖠe da Universidade Federal do Paraná (UFPR) iniciaram ontem, em Curitiba, uma greve por tempo indeterminado. Eles somam 3,5 mil servidores. A maioria, cerca de 2 mil, está lotada no HC. Com a paralisação, os funcionários querem pressionar o governo a conceder 75,48% de reposição salarial, além de outros benefícios.
No primeiro dia de paralisação o Sindicato dos Trabalhadores do Terceiro Grau Público de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral (Sinditest) não sabia quantas pessoas tinham aderido o movimento. No entanto, o diretor de formação sindical, Paulo Adolfo, acredita que a adesão deve crescer hoje. ‘‘É uma greve com representatividade nacional. Não podemos aceitar as determinações do governo federal’’, destacou Paulo Adolfo. Um setores em que eles esperam maior adesão é o Hospital de Clínicas, que realiza mensalmente 61 mil consultas, cinco mil atendimentos no pronto-socorro e interna mais de 1,8 mil pessoas.
Os grevistas pretendem paralisar os serviços dos hospital gradativamente. O sindicato promete manter apenas os atendimentos considerados de urgência e emergência. As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), os atendimentos a recém-nascidos e as quimioterapias são serviços que serão garantidos para os pacientes. Mas o diretor interino do hospital, Giovani Loddo, disse que caso a greve prejudique o atendimento, vai pedir aos gestores de saúde municipais e estadual, bem como ao Ministério Público Federal, que tomem providências.
No ano passado, o hospital ficou paralisado por 96 dias. Este ano, a previsão é que a greve dure no mínimo até o dia 5 de agosto, quando haverá uma paralisação nacional de todos servidores federais.
O comando da greve ocupou ontem um dos auditórios da Reitoria da UFPR, onde estão acontecendo algumas apresentações do Festival de Teatro de Bonecos. Hoje, uma nova reunião para mobilizar a categoria será realizada às 14 horas. Os servidores reivindicam, além do reajuste salarial, contratação de pessoal técnico-administrativo, autonomia com democracia na universidade, um plano único de carreiras e salários, revisão da Medida Provisória 2.150/39 que prevê gratificação para todos os servidores com exceção dos aposentados, defesa dos hospitais universitários e fim das discussões sobre a contratação de funcionários no regime CLT (Consolidação das Lei do Trabalho).

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