A greve dos motoristas e cobradores do transporte coletivo urbano em Londrina surpreendeu trabalhadores que esperavam os ônibus nos pontos espalhados pela cidade ou no terminal central, ontem. Eram 5h30 quando o operário Joedson Amorim de Araújo e os colegas desconfiaram que não teriam como ir para o trabalho. ''Eu acho que a causa deles é justa, mas podiam ter avisado. Assim, a gente não ficava parado aqui sem ter o que fazer''.
Desde antes das cinco da manhã, a rua que dá acesso à entrada da garagem da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), na Vila Recreio (Região Central), estava lotada com a maioria dos 1.300 funcionários da empresa.
A categoria reinvidica reajuste salarial de 6,5%, melhores condições de trabalho, como adequação da escala, lanche para os funcionários que trabalham de madrugada, e ainda uniformes gratuitos, passe livre e plano de sáude. Eles também não aceitam a proposta da empresa de operar algumas linhas sem cobradores.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Coletivos de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva, a paralisação foi o último recurso de uma negociação que já durava meses. ''O estopim foi o não pagamento do PPR (participação por resultado) que deveria ter vindo no salário de julho. Eles já sustituíram o anuênio por este PPR e mesmo assim não pagaram''.
O gerente da TCGL, Gildalmo de Mendonça, argumentou que ainda não houve convenção coletiva para regulamentar a nova porcentagem do PPR que vai incidir sobre o salário dos trabalhadores. ''Além disso, não vamos dispensar os cobradores, vamos dar treinamento para que, a partir de 2008, possam ser utilizados em novas funções'', garantiu.
A proposta da empresa é reajuste de 4%, regulamentação do PPR e suspensão do trabalho dos cobradores a partir das 19 horas, de segunda a sábado, e durante todo o domingo - horários em que há menos movimento.
O prefeito Nedson Micheleti informou que, se o impasse continuar, a empresa pode ser penalizada com multa e até rescisão de contrato.
Os funcionários da Francovig, outra empresa que tem autorização para operar o serviço de transporte coletivo em Londrina, também aderiram à paralisação. Assim como na TCGL, ontem nenhum ônibus saiu da garagem.
De acordo com o presidente do Sinttrol, a Francovig tem 140 motoristas, com salário-base de R$ 989,98, e 110 cobradores que recebem R$ 612,04 mensalmente. Já a TCGL tem 524 motoristas, com vencimentos de R$ 1.174,72, 94 motoristas de microônibus, com salário-base de R$ 845,00, e 440 cobradores com remuneração de R$ 726,85. Ainda de acordo com ele, cerca de 200 mil pessoas utilizam os coletivos diariamente. Em horários de pico -das 5 às 8 horas e das 17 às 19 horas -, cerca de 200 ônibus circulam pelo município. No horário entre-pico seriam 130, em média.
A última greve de motoristas e cobradores foi em 1990 e durou dez dias.

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