'Gravidez vai envolver toda a família'
A ginecologista e obstetra Sônia Pesarini, de Londrina, já acompanhou o pré-natal de uma paciente com paraplegia e também fez os partos de algumas gestantes durante seus plantões na Maternidade Municipal.
Para ela, essas são consideradas gestações de risco, já que as mulheres têm mais possibilidade de ter trombose. ''Todas as gestantes correm esse risco, mas nas mulheres com paraplegia isso é maior, pois elas ficam mais tempo sentadas. Por isso a fisioterapia é tão importante'', ressalta. Também há maior incidência de infecções urinárias. Como muitas mulheres não têm sensibilidade e por isso não percebem contrações, é necessário fazer um acompanhamento.
Ela lembra que a limitação física também traz insegurança sobre como será a gravidez e a rotina após o nascimento do bebê. ''Essa gravidez vai envolver toda a família, não só o casal, já que a mulher vai precisar de ajuda, pelo menos no início.''
Por esses motivos ela acredita que o ideal é que existisse um programa em que essas gestantes pudessem ter um atendimento global, com acompanhamento de fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, além do obstetra.
Quanto à realização do parto normal, a médica afirma que depende muito da lesão. ''Muitas não sentem as contrações, não têm sensibilidade motora para direcionar a força e por isso o parto cirúrgico é o mais indicado. A fisioterapia pode ajudar, mas o médico sempre vai primar pela segurança do bebê e nesses casos o parto é melhor se for programado, para que se minimize o risco de intercorrências.'' (E.G)





