Curitiba - Apesar da frequente divulgação sobre as complicações de uma gravidez precoce, a média de adolescentes que têm filhos no Brasil ainda é alta. Cerca de 25% dos partos, todos os anos, envolvem mães com idade entre 15 e 19 anos. No Paraná houve uma redução de 13,7% entre o final da década de 90, quando 34.492 adolescentes estavam grávidas, e agora, quando se contabilizam 29.764 gestantes nessa faixa etária.
Os dados foram levantados pelo Instituto Possível, de São Paulo, durante evento realizado semana passada, em Curitiba, como parte do projeto Jovens Mães. Na quinta-feira, o trabalho de conscientização e orientação foi voltado a educadores da rede pública de ensino. Na sexta, foi a vez das grávidas adolescentes participarem de uma palestra sobre o tema na Sociedade Paranaense de Pediatria. A maioria delas faz o pré-natal no Hospital Victor Ferreira do Amaral - instituição vinculada à Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A coordenadora do Instituto Possível, Vivian Schaefer, explicou que além de atuar diretamente com o público adolescente e na formação de multiplicadores, a entidade quer incentivar o meio empresarial a investir na divulgação das implicações da gravidez precoce. ''A gravidez na adolescência é um problema seriíssimo, principalmente sob o aspecto social, e muitos acham que não é um problema e, sim, uma questão cultural'', destacou.
De acordo com o médico obstetra Fernando César de Oliveira Júnior, da equipe de acompanhamento pré-natal, o Hospital Victor Ferreira do Amaral atende, atualmente, entre 80 e 100 adolescentes gestantes de baixo risco. As de alto risco são acompanhadas no Hospital de Clínicas (HC). Entre 22% e 23% dos 300 partos mensais são de mães com idade entre 15 e 19 anos. Em Curitiba, as grávidas adolescentes representam 15,8% do total de gestantes, segundo dados da Secretaria de Saúde do município.
Para o médico, um fator preocupante é o aumento na incidência de gravidez entre meninas de 10 a 14 anos. Segundo ele, na década de 90 elas representavam 0,6% do total de gestantes no Paraná: índice que subiu para 0,9%, agora. ''É uma faixa de maior vulnerabilidade, que está iniciando mais precocemente a atividade sexual. Elas têm menos condição de negociar o uso de contracepção e não buscam alternativas oferecidas nos postos de saúde por vergonha de assumir que têm atividade sexual'', ponderou o obstetra.
Foi essa situação que levou Lizandra Khamylle de Souza a engravidar aos 15 anos. Namorando há um ano e meio, ela admite, não buscou nenhuma precaução, mesmo tendo sido levada pela mãe, a balconista Liliane Vulcanis, 38 anos, a um ginecologista para que o profissional indicasse um método contraceptivo. ''No começo, foi horrível. Nem esperava por isso'', disse a adolescente, demonstrando imaturidade em lidar com uma gravidez precoce. ''Agora, minha vida será cuidar do meu filho'', conformou-se. O pequeno Eduardo chega no próximo mês.
Já para a acadêmica de educação física Andréia Graciano, 21 anos, a gravidez foi planejada. Desde o terceiro mês de namoro com o atual marido, o promotor Márcio Aurélio Alves Aparício, 26 anos, os dois já sonhavam em ter um filho. Casados há um ano, Andréia está entrando no nono mês de gestação. O casal se mostra ansioso com a chegada de Emilly Victória. ''A gente queria se estabilizar. Constituir uma família'', revelou Aparício. Para ambos, o que falta é diálogo entre pais e filhos para uma melhor orientação sobre educação sexual. A formação de Emilly será baseada em muita conversa, garantem eles.

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