Gravidez precoce cresce no PR
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sexta-feira, 13 de julho de 2001
Maigue GuethsDe Curitiba 
O crescimento do índice de gravidez na adolescência os segmentos ligados à saúde no Paraná. Números nacionais, que podem ser aplicados na realidade do Estado, revelam um aumento de 25% no número de adolescentes grávidas nos últimos cinco anos. O Paraná tem 1,9 milhão de adolescentes, número que correspondente a 20,7% da população. Vinte mil adolescentes engravidam por ano no Estado, representando 22,5% dos nascimentos no Estado. A vida sexual dos jovens também está começando mais cedo. Na década de 70, as meninas iniciavam com 20 anos, e hoje tem a primeira realção, em média aos 14 anos.
Para discutir o tema e encontrar maneiras de combater esse problema, profissionais das redes estadual e municipais de saúde estão em Curitiba participando da II Jornada Paranaense da Adolescência e o Fórum Nacional de Ética em Anticoncepção na Adolescência.
Um dos nossos objetivos é sensibilizar a classe médica sobre a necessidade de conscientizar pais e adolescentes sobre as consequências de uma gravidez precoce, diz a médica Lucimara Gomes Baggio, presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade Paranense de Pediatria. Muitos médicos, segundo ela, não gostam de tratar de adolescentes porque sofrem pressão dos pais.
Um dos obstáculos é a proibição pelo Código Civil de prescrição de anticoncepcionais para adolescentes sem a permissão dos responsáveis. Os pais sempre acham que seus filhos não praticam o sexo e acham que os médicos estão incentivando quando dão uma receita de anticoncepcional, diz Lucimara. Por isso, os participantes elaboram um documento, hoje, a ser entregue ao Congresso Nacional, propondo mudanças na atual legislação.
Para a ginecologista Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do Programa do Adolescente da Secretaria de Saúde Estadual de São Paulo, é impossível não se pensar, hoje, em iniciativas públicas de atendimento integral ao adolescente. Os números são alarmantes. A cada 17 minutos uma criança está dando à luz a outra criança no Brasil.
Pesquisas revelam que 85% dos jovens conhecem os problemas e doenças a que estão expostos. Mesmo assim, resistem a adotar medidas preventivas. Vinte e quatro por cento das adolescentes grávidas, por exemplo, já tiveram um filho anteriormente. O uso de drogas e incidência de Aids e Doenças Sexualmente Tranmissíveis entre os jovens também assusta. Nestes assuntos existe o pacto do silêncio. Se o adolescente experimenta uma droga e gosta, ele não conta aos pais, assim como também vai ocultar se for contaminado por alguma doença sexual, diz Albertina.
Encontro em Curitiba começou ontem e termina hoje.


