Gravidez precoce atinge 20% dos partos
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terça-feira, 15 de agosto de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
Adolescentes e meninas dão à luz a 20% de todos os bebês nascidos em Cascavel. O percentual consta de estatística referente ao primeiro semestre deste ano, obtido pela Folha na Secretaria Municipal de Saúde. As autoridades de saúde têm manifestado preocupação com o aumento dos partos entre jovens pelas consequências físicas, psicológicas e sociais sobre elas e os bebês. O Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente passou a acompanhar ontem o caso de uma menina de 11 anos que está grávida.
De acordo com a estatística, dos 2.474 partos realizados na cidade no período, 493 foram de mães menores de idade. Entre elas, 4,7% com menos de 14 anos de idade, o que implica em extremo risco. O caso que começa a ser acompanhado pelo Conselho Tutelar é o da menina R.S., que morava no distrito de Sede Alvorada com a mãe, Aparecida dos Santos, e o padrasto, Devanir Gregório, trabalhador rural. R.S. foi engravidada por R.G., de 17 anos, filho de Devanir. O rapaz afirma que desconhecia ser tão fácil alguém engravidar.
No início da semana, a menina procurou sozinha o ginecologista Carlos Puppi Mori, que atua no serviço público de saúde, e relatou dores na bexiga. Ao examiná-la, o médico constatou a gravidez, de 3 meses, e imediatamente informou o Conselho, que comunicou a família da garota. Segundo a conselheira Eunice Lacerda, R.S. e R.G. mantinham relações sexuais no trajeto de 3 quilômetros entre a casa e a escola. Eunice relata que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, o rapaz responderá judicialmente, mesmo sendo menor.
Como a menina tem menos de 13 anos, caracteriza-se o estupro, mesmo que tenha havido consentimento nas relações sexuais porque ela não tem maturidade para decidir, frisa a conselheira. R.S. foi levada para um estabelecimento assistencial autorizado pela Justiça para que permaneça sob proteção e tenha acompanhamento permanente da gravidez por causa da precocidade e de sua frágil compleição física. Também foi providenciado acompanhamento psicológico para a menina.
A preocupação das autoridades do setor em relação a casos como o de R.S. se justifica pelo fato de 13% das mortes por complicação na gravidez, parto ou puerpério (fase até 42 dias após o parto) ocorrerem entre adolescentes. Estatísticas da Organização Mundial de Sa© úde indicam que no Brasil a gravidez precoce (até 19 anos) é superior a 25%. No Norte do País chega a mais de 34%. No Paraná, passou de 19,8% em 1994 para 22,8% em 1998. Nos 23 municípios da região, no ano passado havia 1.832 adolescentes grávidas, das quais 1.042 apenas em Cascavel.


