Uma mulher grávida de cinco meses foi morta na manhã de ontem, em frente à residência onde estava hospedada, no Conjunto Farid Libos (Zona Norte de Londrina). Adriana Nunes, 21 anos, foi alvejada com três tiros, provavelmente disparados por um menor que, segundo testemunhas, teria fugido do local em uma mobilete. O delegado do 5º Distrito Policial de Londrina, Marcos Belinati, já tem o nome de um suspeito e trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido motivado por dívidas do tráfico de drogas. O crime é o 175º homicídio registrado em Londrina este ano.
Segundo o delegado, informações coletadas junto a testemunhas dão conta de que Adriana estaria conversando com adolescentes desde as 8 horas, em frente de casa, na Rua Hermínio Marcos Reis. ''Ela teria sido chamada para fora de casa e manteve uma conversa longa com jovens, que vieram até o local de mobilete'', contou. ''Depois da última conversa, por volta das 10 horas, ela foi atingida por dois tiros no tórax e um no braço'', continuou. Como não foram encontradas cápsulas, Belinati acredita que um revólver tenha sido utilizado no crime.
Adriana ainda teria tentado se esconder dentro de casa depois de levar os tiros e, de acordo com o delegado, o suspeito chegou a invadir a casa em perseguição à jovem. ''Mas nenhum tiro chegou a ser disparado dentro da residência'', contou. Adriana foi atendida pelo Siate, mas não resistiu aos ferimentos e morreu dentro da ambulância dos bombeiros. Um menino de 10 anos, primo da vítima e filho do proprietário da casa, estava na casa quando Adriana foi morta, mas segundo o pai, ele não chegou a ver quem atirou contra a jovem.
O tio de Adriana, que preferiu não se identificar, afirmou à reportagem da Folha que a jovem perdeu os pais há dois anos e, desde então, não tinha residência fixa. ''Ela estava em casa há pouco mais de uma semana, mas quase não saiu e eu nunca a vi fazendo nada de errado'', contou. Há cerca de um ano, Adriana teria saído da casa onde residia para morar com o namorado e engravidou. ''Não tive contato com ela durante todo este período. Só a vi de novo quando ela veio pedir para morar aqui'', disse.
Um dos vizinhos de Adriana, que também optou por não revelar o nome, chegou a prestar socorro à vítima assim que ouviu os disparos. ''Eu vi que ela estava conversando com um adolescente há tempos e depois ouvi os disparos. Corri para ajudá-la e perguntei o nome do rapaz, mas ela não quis me dizer'', afirmou.
O nome sonegado para o vizinho, no entanto, foi confirmado por Adriana para a polícia, minutos antes de morrer. Segundo Belinati, trata-se de um menor com vários antecedentes criminais, envolvido, inclusive, em pelo menos cinco outros homicídios. ''Sabemos que é um menor que trabalha a mando de traficantes. Adriana era uma provável usuária de drogas e acreditamos que estivesse devendo para os criminosos'', teorizou.
Com a morte de Adriana, já são sete as vítimas de homicídio em Londrina desde o último sábado, marcando o último final de semana como um dos mais violentos do ano. Em 2004, a polícia já registrou 175 assassinatos.

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