A gravação de conversas telefônicas foi uma das armas da oposição para forçar o ex-delegado-geral Artur Oscar Correia Braga a pedir anteontem o afastamento do comando da Polícia Civil do Paraná. Nas fitas haveria ameaças de remoções de Braga contra delegados de polícia de um grupo rival, encabeçado pelo delegado do Comando de Operações Policiais Especiais (Cope), Ricardo Kepps de Noronha. Ambos possuem divergências pessoais graves. Ontem, por telefone, o ex-delegado-geral negou a existência das gravações e reafirmou que, apesar das pressões, a decisão foi tomada por motivos particulares. Mas fontes da polícia confirmaram a existência.
Sem mudanças aparentes na polícia com a subida ao cargo do delegado Roberto Nascimento, que era delegado-geral adjunto, crescem as disputas para obter a indicação do governador Jaime Lerner à vaga deixada por Braga. A indicação poderia ser adiantada se fossem confirmadas as especulações sobre a saída do secretário de Segurança Pública do Estado, Rubens Abrahão Tanure. Ontem, Tanure não descartou seu afastamento da pasta, mas demonstrou acreditar que, se isso acontecer, somente será no próximo ano. ‘‘Sinceramente é um problema que afeta diretamente o (Jaime) Lerner’’, disse.
Já o porta-voz do governo, Hudson José, afirmou que a indicação do delegado-geral está a cargo de Tanure. O secretário discorda completamente. ‘‘A indicação é privativa do governador. Pode ser que seja outro o secretário de Segurança a ocupar o cargo quando o delegado-geral for nomeado’’, afirmou Tanure, referindo-se a possíveis mudanças no secretariado no começo de 1999. O secretário de Segurança, no entanto, demonstrou desejo de permanecer no cargo e tem o apoio do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury.
Alheios ao desentendimento dos setores do governo, três nomes despontam como favoritos à vaga de Braga, representando correntes diferentes na polícia. Um deles é o delegado Paulo Ernesto Cunha, da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (Dccp), que teria apoio do ex-delegado geral. Outro é o delegado Newton Rocha, da Divisão de Segurança e Informações (DSI), que contaria com a ajuda de Aníbal Khury, cuja força é grande por ser um aliado respeitável do governo. O terceiro é o próprio Noronha, que teria maior respaldo na categoria, principalmente por acumular a presidência da Associação dos Delegados de Polícia de Carreira (Adepol) do Paraná e do sindicato da categoria.Apesar de o ex-delegado-geral negar, ele teria sido gravado fazendo ameaças de remoção contra integrantes de grupo rival
Arquivo FolhaNa disputaO delegado Newton Rocha é um dos cotados para a vaga de Braga
Três nomes são cotados
para a vaga: Paulo
Ernesto Cunha, Newton
Rocha e Ricardo Noronha

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