Gravação denuncia esquema que facilitava fuga de presos
A delegada de Campina Grande do Sul, Mônica Meister, entregou ontem ao promotor de Justiça do município, Otacílio Sacerdote Filho, uma fita contendo gravações telefônicas que acusam um delegado e policiais civis da Região Metropolitana de Curitiba de corrupção, favorecimento de fuga e tentativa de assassinato.
O diálogo se passa entre a delegada e o detento Kelson Luiz do Nascimento, 27 anos, que havia fugido da delegacia de Quatro Barras no dia 28 do mês passado. A conversa foi gravada por Mônica com um gravador comum encostado ao telefone, no dia 3 deste mês, às 15h55. Nela, Nascimento dizia ter medo de ser morto pela polícia.
Na quinta-feira da semana passada, ele foi executado com sete tiros, seis deles no pescoço e cabeça. O corpo foi encontrado domingo de manhã, por um pescador, dentro da Represa do Capivari. A delegada evitou acusar os policiais pelo assassinato.
A Folha teve acesso a cópia da conversa. Os nomes citados pelo detento são do delegado Cariovaldo e do investigador Marcondes, de Quatro Barras, e do investigador Abel, da Delegacia de Furtos de Veículos. Eu entrei em contato com ele. Ele falô... Se você fala co juiz, o juiz vai te mandá broca do mesmo jeito. Não adianta (sic), disse Nascimento à delegada, referindo-se a Abel.
Em certo momento, Nascimento diz que sua fuga no dia 28 de novembro, junto com outros três presos, foi planejada com a ajuda de Marcondes. O policial teria ficado com um computador e mais R$ 500,00, produto de um furto em uma empresa, cujo nome não é citado. A senhora lembra de uma firma que foi roubada e que foi recuperado o computador?, disse o preso à delegada. Os outros três presos foram recapturados.
Conforme Nascimento, todos os cubículos da cadeia de Quatro Barras estavam abertos no dia da fuga. Quem acertou (a fuga)?, pergunta Mônica. O Marcondes, disse Nascimento.
O prisioneiro disse para Mônica que tinha medo de se entregar. Nascimento disse ter tentado uma vez, mas foi recebido a bala. Me encheram de bala. Eu só não morri porque não era hora, afirmou.
A fita com a conversa será entregue à Corregedoria da Polícia Civil. A delegada e o promotor pediram um delegado especial para cuidar do caso. Ontem o chefe da Divisão de Polícia Metropolitana, João Manuel de Siqueira Dias, disse que espera a delegada mandar os documentos para designar o delegado especial.
Por telefone, a delegada de Campina Grande disse estar bastante chateada. Preferia que ele estivesse vivo e contasse o que sabe, afirmou.





