Albari Rosa




Cara a caraBeatriz Abage depôs ontem no Fórum de São José dos Pinhais, mas seu depoimento não pode ser divulgado pela imprensa por decisão da juíza Marcelise Lorite (foto superior). Celina Abagge, que acompanhou o depoimento da filha, cochicha ao ouvido do advogado de defesa Osmann de Oliveira (foto inferior)

O julgamento de Celina e Beatriz Abagge correu novamente o risco de ser anulado ontem porque uma equipe de televisão teria gravado o som de trechos do interrrogatório de Beatriz. Ela estava sendo interrogada há quase uma hora quando a juíza determinou a interrupção da sessão para apurar por que a equipe havia desrespeitado a ordem judicial de não gravar o áudio os depoimentos. Neste momento, Beatriz relatava o que havia feito nos dias 6 e 7 de abril de 92, datas respectivas do desparecimento e da morte do menino Evandro Ramos Caetano. Houve algumas contradições em relação ao depoimento de sua mãe, realizado no dia anterior.
Anteontem, antes do início do julgamento, a juíza Marcelise Weber Lorite, do Fórum de São José dos Pinhais, havia feito um acordo com a imprensa proibindo que detalhes dos interrogatórios fossem divulgados. A medida foi tomada, segundo a juíza, para evitar que as testemunhas, que ficarão incomunicáveis apenas a partir da tarde de hoje, fossem influenciadas pela divulgação dos depoimentos das rés. Alguns jornais também já haviam quebrado o acordo nas edições de ontem. A Folha manteve o acordo.
A descoberta de que a equipe do programa ‘‘190 Urgente’’, da rede de televisão CNT, estava gravando o áudio do depoimento provocou uma interrupção de uma hora e meia no julgamento. Os técnicos da filmagem alegaram que não haviam feito a gravação com intenção de veiculá-la na televisão. Mesmo assim, a fita foi apreendida pelo delegado Arthur Luiz Zanon. Houve inclusive ameaças de que a equipe seria presa em flagrante por ter desrespeitado uma ordem judicial, e de que a imprensa ficaria proibida de ter acesso ao Fórum.
Durante o tempo em que o interrogatório ficou suspenso, os jurados e a ré foram retirados do tribunal. A juíza ficou reunida com a imprensa na presença do delegado Zanon e de policiais militares para decidir o que seria feito. Segundo a juíza, o simples fato de o julgamento ter sido interrompido na fase de interrogatório já poderia levar à nulidade da sessão. ‘‘Qualquer quebra no relato dos réus pode ser visto com um prejuízo pelos responsáveis pela acusação ou pela defesa’’, disse.
Depois da reunião, o julgamento foi retomado e a juíza decidiu pela continuidade do interrogatório. Ela determinou que as equipes de televisão e os fotógrafos somente fizessem imagens na presença dos oficiais de Justiça. Antes de reiniciar o interrogatório de Beatriz, a juíz afirmou que a restrição havia sido feita apenas para preservar a integridade das rés. Logo após o reinício da sessão, Beatriz mostrou aos jurados e à juíza possíveis marcas dos choques elétricos que teria sofrido para confessar o crime. Muito nervosa, ela chorou convulsivamente quando disse ter sido violentada por policiais.

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