É impossível calcular quanta água do Tibagi já foram utilizada pelo homem desde que o rio foi ''descoberto'', há aproximadamente quatrocentos anos. O que bem se sabe é que nunca alguém pagou um tostão por isso, embora as águas sejam de domínio público. Agora, no início do século em que a escassez de água potável deve se tornar uma das grandes preocupações mundiais, a cobrança pelo uso dos mananciais paranaenses - entre eles, os que compõem a Bacia do Tibagi - pode finalmente se concretizar.
A cobrança consta de um projeto do governo estadual que já está sob apreciação da Assembléia Legislativa. Ele prevê a criação das agências e comitês de bacia hidrográficas, que ficarão responsáveis pela outorga do uso da água e cobrança dos grandes usuários. ''Pretendemos ter isso aprovado antes do encerramento desse semestre legislativo e colocar em prática até o fim do ano'', diz Cheida.
Essa política de recursos hídricos não é nova - foi estabelecida na lei federal nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que reconhece a água como um bem escasso e de valor econômico. Mas passados oito anos, o gerenciamento por bacias foi posto em prática somente na Bacia do Rio Paraíba do Sul, em São Paulo.
Pelos planos do governo paranaense, a atual Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento (Suderhsa) será transformada em Agência Estadual de Águas, enquanto cada bacia terá seu comitê tripartite, formado por membros do Poder Público, empresas e sociedade civil. ''A princípio serão três comitês-agência, o do Alto Iguaçu/Ribeira, do Rio Jordão e do Tibagi. Eles irão decidir onde o dinheiro pago pelos usuários será aplicado, sendo que 92,5% desses recursos irão necessariamente para ações de recuperação da bacia e 7,5% para administração dos comitês'', explica o secretário.
De acordo com Cheida, agricultores estarão isentos do pagamento. Ele adianta que o Estado deverá pagar 90% do total cobrado pelo uso da água no Paraná, uma vez que Sanepar e Copel são os maiores usuários. Isso não impede que empresas que fazem uso dos rios tenham de pagar cifras milionárias aos comitês. A indústria de papel e celulose Klabin, em Telêmaco Borba, maior usuária industrial do Rio Tibagi, calcula que poderá pagar até R$ 1 milhão por mês. A informação é do coordenador de meio ambiente da Klabin, Júlio César de Batista Nogueira, que se baseou nos valores cobrados de empresas instaladas no Rio Paraíba do Sul. (V.N.)

mockup