Grandes projetos não saem do papel
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de agosto de 2000
Lino Ramos De Londrina 
Elevado da JK com a Higienópolis, revitalização do Calçadão, lagos da zona norte, revitalização de fundos de vale e o VÔ. Quem não se lembra dessas obras, anunciadas pelo prefeito cassado e afastado de Londrina, Antonio Belinati (PFL). Os projetos desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) nunca chegaram ao canteiro de obras. O prefeito cassado foi procurado para falar sobre as obras que anunciou. A Folha deixou recado na chácara onde ele mantém seu escritório político, mas não houve retorno. Caso tivesse cumprido essas promessas, o prefeito cassado teria gasto em média R$ 22 milhões.
Uma obra anunciada recentemente com muita festa por Belinati foi o VÔ, uma espécie de pronto atendimento para idosos. O projeto desenvolvido pelo escritório do arquiteto Luiz Piccirillo prevê uma construção de 5.265 mil metros quadrados, abrigando um núcleo de geriatria, espaço para triagem médica, biblioteca e auditório. Piccirilo prefere não comentar o valor cobrado pelo projeto, mas de acordo com o secretário de Obras, José Righi de Oliveira, foram aproximadamente R$ 130 mil. Righi disse ainda que a estimativa de custo com o VÔ é de R$ 4,5 milhões.
Em 98, o Ippul projetou a revitalização dos fundos de vale do Lagoa Dourada (zona sul), Vale do Rubi e do Córrego Água Fresca (na área central da cidade). Segundo a Diretora de Projeto do Ippul, Delcy Maria Cruciol, pelos estudos desenvolvidos pelo instituto, esses fundos de vale passariam a ter quadras e quiosques e outros equipamentos urbanos.
Mesmo a transposição da Avenida Maringá sobre o aterro do Lago Igapó 2, inaugurada no início do mês de agosto, teve seu projeto original modificado com o intuito de reduzir custos. O estudo inicial previa a construção de rotatórias nas ruas Joaquim de Matos Barreto e Bento Munhoz da Rocha Neto, além de um elevado com 260 metros ligando as avenidas Maringá e Avenida Ayrton Senna (projeto que também foi substituído por uma solução mais modesta, a Rua João Wyclif). O elevado e a Avenida Ayrton Senna foram avaliados em R$ 10 milhões e não saíram do papel, assim como a rotatória da Rua Joaquim Barreto.
No cruzamento das avenidas Higienópolis com a JK, a administração municipal chegou a sonhar com um viaduto de 260 metros de extensão. O chamado Elevado da JK foi anunciado em abril de 98 e na época o presidente do Ippul, Mário Stamm Júnior, disse que o prefeito cassado queria a obra pronta em 12 meses. A proposta, avaliada em R$ 2 milhões, logo deu lugar a um entrincheirado, onde as pistas da JK passariam sob a Higienópolis. É outra obra que ficou no papel.
Antonio Belinati também anunciou uma revitalização total do Calçadão central de Londrina, desde a Rua Hugo Cabral até a Maranhão. O secretário José Righi de Oliveira lembra que o próprio Belinati desistiu da idéia, após saber que o projeto consumiria R$ 2,7 milhões, o piso não seria trocado e as mudanças não provocariam um forte impacto visual.
A diretoria de projetos do Ippul possuia anteriormente uma equipe de arquitetos, mas hoje tem apenas um profissional. Preocupado com o excesso de projetos não colocados em prática, o diretor-presidente do Ippul, Paulo Bombassaro, trabalha com a filosofia de não perder tempo ou dinheiro. Nosso objetivo é desenvolver somente os projetos essenciais para a população, comenta. Muitos projetos que acabaram engavetados são de 98 e na opinião de Bombassaro, na época faltou sintonia entre os órgãos municipais.


