Reunir vários projetos hidráulicos de grande porte - como usinas hidrelétricas de diversas partes do mundo - num único local. O que parecia impossível se torna realidade, ainda que em menores proporções, nos pavilhões do Centro de Hidráulica e Hidrologia Professor Parigot de Souza (CHPAR), mantido através de convênio entre a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Campanhia Paranaense de Energia (Copel).
Materiais de construção habituais, como argamassa de cimento e pedras, são usados para construir os chamados modelos reduzidos - reproduções fiéis das futuras obras. O que mais pode intrigar os leigos em engenharia hidráulica é justamente a semelhança. Os projetos são reproduzidos fielmente em escala de 100 para um. Isso que dizer que cada centímetro do modelo corresponde a um metro na obra original. ‘‘Características como o volume, a força e a velocidade da água são repetidas com precisão’’, garante o chefe da Divisão de Hidráulica do CHPAR, o professor Júlio César Olinger, que trabalha no centro há 34 anos. A topografia do terreno e as condições naturais dos rios também são copiadas integralmente.
Olinger: ‘Características são reproduzidas fielmente’O objetivo de tanta precisão - em que décimos de milímetros correspondem a centímetros - é otimizar os projetos, ou seja, fazer estudos que permitam sugerir alterações e correções que melhorem o desempenho da obra ao mesmo tempo em que reduzam os custos. ‘‘A construção de um modelo reduzido permite avaliar, por exemplo, a pressão que a água exercerá sobre as estruturas, a velocidade de escoamento e as condições de captação’’, explica Olinger. A colocação de corantes nas águas que circulam nos modelos é usada para verificar o comportamento hidráulico das linhas de correntes. ‘‘Nos modelos é possível avaliar condições técnicas como a vazão de apenas uma comporta do vertedouro, que tem a função de descarregar as cheias, mas sem alterar o nível normal do reservatório.’’
Além de estudos de projetos de obras que ainda serão construídas, professores da UFPR, engenheiros da Copel e estagiários trabalham nos modelos reduzidos para encontrar alternativas e solucionar problemas que surgiram anos após a conclusão da usina hidrelétrica, como a erosão das margens ou o assoreamento dos reservatórios. Os modelos reduzidos, de acordo com Olinger, custam cerca de um milésimo do valor da obra. Eles são construídos em cerca de um mês e os estudos técnicos duram de seis meses a um ano.

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