A reciclagem foi a solução encontrada por dois geradores de grande volume de lixo orgânico para suspender o envio desse tipo de material para o aterro do Caximba, a partir de 15 de abril, conforme determinação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O Shopping Palladium e a rede de supermercados Condor estão envolvidos em um projeto que transforma os resíduos orgânicos como sobras de comidas em ração para suínos. A iniciativa foi apresentada ontem, em Curitiba, e tem como base o programa Ehco Lixo Zero desenvolvido pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em parceria com outras instituições governamentais. Embalagens, vidros, plásticos e papéis serão encaminhados para associações de catadores de materiais sólidos recicláveis de acordo com a política de cada estabelecimento.
O processo de produção é simples. O material gerado pelos estabelecimentos comerciais será coletado, separado e armazenado em tanques misturadores para a formação de uma massa líquida tipo um "sopão". No final do dia, o produto é transportado em caminhões-tanque até a Abdala Ambiental - granja de engorda de cerca de 3 mil suínos em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. O descarregamento da mistura é feito sem contato manual até outro tanque para a pasteurização a 90 graus para a eliminação de bactérias e outros micro-organismos. O resultado final é um alimento rico em proteínas, saudável e de baixo custo.
De acordo com o proprietário da Abdala Ambiental, Marco Antônio Zanini, foram investidos cerca de R$ 4 milhões em cada unidade coletadora de resíduos entre a compra e instalação dos equipamentos (tanques), treinamento de pessoal e transporte do produto. Com a parceria, o empresário calcula que o gasto com ração incluso nos custos de produção da granja deve cair de 40% para 25%. "Uma economia considerável", diz. A capacidade da Abdala é absorver cerca de 200 toneladas de "sopão" por dia. No momento, a granja trabalha aquém do potencial. O Condor fornece 40 toneladas por dia e o Palladium 96 por mês.
O secretário estadual do Meio Ambiente Raska Rodrigues admite que o resíduo orgânico é o principal problema dos lixões e que a reciclagem desonera o Estado. "Vai cair a produção de chorume e gás que são contaminantes poderosos e o custo de manutenção também sofrerá quedas", diz. Ele contabiliza que dos 148 aterros construídos nos últimos 12 anos, 136 tornaram-se lixões sem tratamento a céu aberto. Ele defende que as novas regras contribuirão para a média de 60% de matéria orgânica nos aterros chegar ao volume europeu de 35%.
No Shopping Palladium o tanque misturador já está instalado e foi testado por um mês. Durante esse período quase 100 toneladas de matéria-prima para ração animal foi fornecida. Por não utilizar mais o aterro sanitário para o depósito de orgânicos, o estabelecimento recebeu do IAP o selo Ehco Lixo Zero. "Vamos promover uma forte campanha de conscientização de funcionários e lojistas sobre a importância da reciclagem e a preservação ambiental, conta o superintendente do Palladium, Anibal Tacla.
No Condor, apenas seis das 19 lojas de Curitiba e RMC estão equipadas com os tanques misturadores. Somente a Capital gera cerca de 20 toneladas de orgânicos por dia. "Dentro de seis meses pretendemos que todas as 27 lojas do Estado estejam aptas à reciclagem", comenta o presidente da rede, Pedro Joanir Zonta.
Para a Associação de Supermercados do Paraná (Apras), a reciclagem é uma continuação dos projetos de gestão do lixo iniciados em 2004 com os primeiros planejamentos de ações ambientais. O superintendente da Apras, Valmor Rovaris, conta que cerca de 50% do lixo supermercadista é orgânico. Há um ano, a entidade contatou 23 empresas especializadas em soluções ambientais que definiram três vertentes de trabalhos possíveis: reciclagem, compostagem e despejo em aterros particulares. "Em 2004, apenas 30% da cadeia formada por 136 lojas em Curitiba e região reciclavam os resíduos orgânicos, agora apostamos que esta medida atingirá um número maior embora algumas bandeiras estejam optando pelos aterros", diz.

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